2007-08-09

Oração de Louvor

Deus de bondade e Pai de Misericórdia,

Eu Te louvo e Te Bendigo,
Porque o Teu Espírito habitou em mim
E me chamaste ao Teu serviço:
Ser anunciador da Tua Palavra neste mundo!

Eu Te louvo e Te bendigo
Porque tens estado sempre comigo
Ao longo desta vida; e isto de muitas formas…
Na família, o Teu amor me apoiou e me incentivou
A continuar a aprofundar o Teu caminho.

Na paróquia onde cresci para a fé;
Desde os párocos, os catequistas e os amigos…
Por eles me falaste e me cativaste.
No seminário aí estavas Tu:
Na sabedoria dos formadores e professores;
Na amizade dos companheiros de seminário e de escola;
E na confiança dos amigos que me apoiaram em todos os momentos.

No meu trabalho pastoral desenvolvido entre o Porto, passando por Espanha,
Nisa, Lisboa e agora Santiago do Cacém.
Quantas vezes não me falaste e, pelas mais diversas pessoas:
Catequizandos, catequistas, grupos de jovens,
Conferências Vicentinas, Acólitos, benfeitores e amigos…

Eu Te louvo e Te agradeço porque me falaste através deles e, com todos eles,
Eu fui aprofundando e solidificando a certeza
De que me chamavas a este serviço.
Com a Tua presença divina e com todos aqueles que estão a meu lado
Eu me apresento aqui hoje,
Cheio de alegria e de esperança,
E com um coração agradecido eu me coloco diante de Ti,
Assim como todos aqueles que indirecta e directamente
Tornaram possível esta celebração:
O pároco, o conselho pastoral, a confraria de Pedra Maria, o grupo coral, os acólitos
E, claro, o grande número de pessoas que, com uma alegria contagiante,
Enfeitaram as ruas com o tapete e os arcos.

A todos, por intercessão da mãe do teu Filho, Maria Santíssima,
Eu te peço que os guies com a tua força nos caminhos da vida
Para que vivam a alegria e superem as dificuldades,
Testemunhando o teu amor nesta vida.

Pe. Pedro Guimarães

2007-05-27

Pentecostes

«Sem o Espírito Santo, Deus fica longe;
Cristo permanece no passado;
O Evangelho é letra morta;
A Igreja é uma simples organização;
A autoridade é um poder;
A missão é propaganda;
O culto, uma velharia;
E o agir mora, um agir de escravos.

Mas, no Espírito, o cosmos é enobrecido pela geração do Reino;
Cristo ressuscitado torna-Se presente;
O Evangelho faz-se poder e vida;
A Igreja realiza a comunhão trinitária;
A autoridade transforma-se em serviço;
A liturgia é memorial e antecipação;
O agir humano é deificado».

(Atenágoras)

2007-05-07

"Eu sou o pão da vida"

“ Ninguém pode vir a Mim, se o Pai, que Me enviou, não o trouxer”, disse Jesus aos seus discípulos.
Como é fácil considerar a fé como algo de normal. Muitas pessoas, como nós, são católicos de nascimento, nascidos numa tradição religiosa. Isto pode levar-nos a ver a nossa fé como uma herança familiar e não como um dom de Deus. No entanto, Jesus afirma claramente que ninguém pode ir a Ele, se o Pai não o trouxer. Fazer um acto de fé, um verdadeiro acto de fé, é a prova de que Deus age em nós. Quando dizemos, como Tomé: “Meu Senhor e o meu Deus”, a graça está a agir na nossa vida.
Não porque alguém tenha visto o Pai; só Aquele que vem de junto de Deus viu o Pai”. Pela fé, dom maravilhoso que vem de Deus, Jesus conduz-nos à vida divina, a Deus, em três pessoas.
Na ultima refeição, Jesus disse a Filipe: “Quem Me vê, vê o Pai”. O rosto de Jesus revela o mistério invisível do Pai. Somos convidados a compartilhar este mistério do Amor eterno, do Amor mútuo do Pai e do Filho no Espírito Santo.
Eu sou o caminho, a verdade, a vida.” “Eu sou o Pão da vida.” Este pão quer dizer a paixão de Deus pela vida. Este pão quer dizer a sua Paixão. Doravante, comer este pão significa tornar-se grão de trigo lançado à terra para dar muito fruto.
VIVER... sabemos pouco o que significa. Vivemos, às vezes, o mínimo. Vivemos segundo os humores do nosso interior.
VIVER é um movimento, um êxodo. Viver é ir , como Cristo, para o outro lado da margem do lago...
VIVER, para o evangelista, resume a obra de Cristo: Viver do Pão de Cristo. Eu sou o pão da vida. O pão para o caminho do filho perdido e amado... O pão da mulher perdoada e amada... O pão que transforma, que converte.... o pão de conversão.
É necessário comer como um crente. Não é suficiente esticar a mão, mesmo diariamente, para compartilhar esta vida. É, no dia a dia, que aprendemos a viver com Ele. Com Ele, por Ele, n’Ele, agradecemos e pedimos a Deus que faça de nós tornar este pão da vida para todos os nossos irmãos que estão a perder o gosto de viver.

Maurice Pilloud

2007-04-26

Oração pelas Vocações

Oh Esperança de Israel,
Salvador nosso no tempo da aflição:
Lançai sobre nós o vosso olhar propício;
Vede e visitai esta vinha,
Inundai de águas fecundas os seus sulcos,
Multiplicai os seus rebentos, tornai-a perfeita,
Pois a vossa mão direita a plantou.
Na verdade a messe é grande, mas os operários são poucos.
Nós vos rogamos, pois, Senhor da messe, que envieis
Mais operários para a Vossa messe.
Multiplicai a família
E fazei crescer a alegria, para que sejam restaurados os muros de Jerusalém.
É vossa esta casa, Senhor nosso Deus, é vossa esta casa.
Não haja nela nenhuma pedra que a vossa mão
não tenha colocado.
Mas, àqueles que chamastes, guardai-os no vosso nome
E santificai-os na verdade.
Ámen.

2007-04-07

RESSUSCITOU!

Chorei no túmulo de Cristo.
Os olhos de lágrimas embaciados.
Os sentidos perturbados.
O momento nunca visto.
Os contornos do espírito iluminados.

Ali
O Coração do Mundo
O Centro da Terra
A chave do Universo
O sepulcro quedo e mudo
O Fim e o Princípio de tudo!

Uma voz dentro de mim ecoou:
Ressuscitou!
Surgiu de vez!
Fez-se o MILAGRE ou não fez?!
Aconteceu.
“A verdade é
que o HOMEM não morreu!”

CRISTO RESSUSCITOU!
ALELUIA!
Hinos de alegria!
Gritos de júbilo e vitória
Nas Tendas da História!

A vida agora
Um fogo intenso
Com vertigens
Como nas Origens!

O SENHOR ESTÁ VIVO
EU CREIO SENHOR!
POR ISSO EU TE SIGO,
ENCHE-ME COM TEU AMOR!


P. Agostinho


(Poema composto junto do Santo Sepulcro, em 1997)

2007-04-05

À Luz da Última Ceia.

Custa-me a crer – disse-me espontaneamente.
– Compreendo – respondi-lhe. Mas é isso mesmo: a Última Ceia prolonga-se na nossa história. Todas as vezes que um sacerdote celebra a Eucaristia, actualiza, torna presente, o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus.
É como se eu estivesse na Ceia, como um dos discípulos, na mesma mesa que Ele presidiu?
– Sim, na verdade só somos discípulos quando nos sentamos à mesa com Ele, comemos do Seu alimento, falamos com Ele e procuramos fazer o que Ele nos manda.
Ah!, pois, a Eucaristia e a história do Lava-pes! Lembro-me do que Ele disse: «vos sereis meus amigos se fizerdes o que vos mando».
– Isto é, «se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei». E Ele que era o Mestre, o Senhor, lavou-nos os pés. Mas mais do que isso, morreu por mim e por ti.
Acho que agora compreendo melhor. O que realmente preciso, então, é de «nascer de novo» e começar a tomar parte nas Refeições que Ele prepara para cada um de nós. Mas não sei se serei capaz de nascer de novo e de comer com Ele à mesa…
– Amigo, lembra-te que cada dia é uma oportunidade para nascer de novo. Não adies, nem desistas. Nasce e vive, definitivamente, para Deus.
(David)

2007-03-25

Um caso exemplar

Havia todas as razões para condenar a mulher: gozava de má fama, levava uma vida escandalosa, era uma adúltera. Na antiga lei, o castigo estava estipulado para este tipo de casos: deveria morrer apedrejada. Um castigo exemplar.

«Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra»

É tão comum e tão antiga a tradição de lançar pedras, na praça pública, àquele/a que é tido como pecador. É tão tentador pensar que os outros são os maus, os merecedores de castigos exemplares, os bodes através dos quais expiamos os nossos males. Facilmente servimo-nos dos outros para apaziguar a nossa consciência.
É como se houvesse um impulso natural em cada homem, uma compulsão para encontrar fora de nós a causa do nosso mal-estar. Daí a tendência em humilhar e eliminar esse mal de uma forma fácil e aparentemente eficaz: através do mal que vemos nos outros.
Jesus condena o pecado, mas não a pecadora. Ao mesmo tempo que promove a mulher a uma nova forma de vida, «vai e não tornes a pecar», denuncia a tendência que existe em nós, a de nos armarmos em juízes implacáveis dos outros.
Esse deve ser o exemplo a seguir. Essa é a Nova Lei, a Lei de Jesus. O desafio que Ele nos faz é claro: que vida de todos e de cada um seja expressão da misericórdia divina e não da justiça humana. E a misericórdia é um dom gratuito, incondicional. É como dar a mão a quem nunca fez nada para a merecer. São nesses pequenos gestos de compaixão e de amabilidade para com os excluídos, vividos num quotidiano banal, que faz a diferença entre os que são e os que não são seguidores de Jesus.
Mas só o reconhecimento sincero da nossa condição pecadora pode apaziguar a inata tentação para condenar os outros. E se pedimos constantemente a Deus que nos perdoe, porque é que nós, Igreja, não havemos ser, neste mundo, sinal da misericórdia incondicional de Deus para com aqueles que são marginalizados pelo pecado que cometeram?
O desfio é de todos conhecidos: «Sede misericordiosos como o Pai celeste é misericordioso»…


David

2007-03-18

Um Pai Misericordioso

Há um Pai que está sempre contigo, estejas onde estiveres.
Um Pai que nunca te abandona, mesmo que o tenhas abandonado.

Um Pai sempre disposto a correr ao teu encontro, para te abraçar e cobri de beijos.
Alguém que apenas sabe amar e perdoar.

Hoje e sempre, esse Pai é Deus.

É essa força misteriosa e sedutora que fala ao coração de cada homem, que o convida para a festa, para o banquete.
E cada homem, pecador como é, sente-se verdadeiramente amado como filho único.
Esse Pai é Deus que espera por ti.
Está na hora: faz-te à estrada e deixa-te encontrar.

David

2007-03-11

MOISÉS

«Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb» (Ex. 3, 1-2).

A vida sossegada do pastor foi perturbada por um persistente e inquietante desejo de ir mais longe. Sem saber porquê, deixou o deserto, o lugar do vazio, quebrou a rotina diária, a vida normal de pastor, para aproximar-se de um lugar desconhecido, talvez incerto, o lugar sagrado onde Deus se revelou como Senhor de toda história: Eu sou o Deus dos teus antepassados e o Deus das gerações que hão-de vir: «Eu Sou Aquele que Sou!».

O episódio bíblico sugere-me que Deus impõe uma condição para que possa falar comigo, olhos nos olhos. Ele espera por mim, por cada um de nós, lá encima, no monte, ou nesse lugar sagrado, cheio de vida, que é o nosso coração. É fora do deserto, o território da morte, da rotina estéril que Ele se revela como Deus-Salvador. E ao descobrir o rosto de Deus, descubro a minha missão, o meu papel neste mundo. E a vida ganha outro sentido…

David

2007-03-03

VIVE FELIZ !

Não sei se alguma vez, neste já longo espaço de «pensamentos», deixámos o texto que se segue. Mas porque é Quaresma e para contrariar a tendência «dolorista» que às vezes se apodera dos piedosos cristãos, publicamo-lo de novo, com votos de um santo tempo quaresmal.

«Não te inquietes com as dificuldades da vida
Com os seus altos e baixos, com as suas decepções
Com o seu futuro mais ou menos sombrio.
Quer o que Deus quer.
Oferece-lhe, no meio das inquietudes e dificuldades,
O sacrifício da tua alma simples
Que, apesar de tudo, aceita os desígnios da sua Providência.
Pouco importa que te consideres frustrado
Se Deus te considera plenamente realizado, ao seu gosto.
Perde-te cegamente confiado nesse Deus que te quer para Si,
E que estás nas suas mãos, tanto mais fortemente seguro,
Quanto mais decaído e triste te encontrares.

VIVE FELIZ. PEÇO-TE!

Que nada te perturbe,
Que nada seja capaz de te tirar a paz,
Nem o cansaço psíquico,
Nem as tuas faltas morais.
Faz o que o coração te pede
E conserva sempre no teu rosto um doce sorriso,
Reflexo daquele que o Senhor continuamente te dirige.
No fundo da tua alma coloca, antes de mais,
Como fonte de energia e critério de verdade,
Tudo aquilo que te enche da paz de Deus.
Recorda: tudo quanto te reprime e inquieta é falso,
Garanto-te que é verdade, em nome das leis da vida
E das promessas de Deus.
Por isso, quando te sentires sobrecarregado de desânimo e tristeza,
Adora e confia... »

Pe. Teilhard de Chardin.

2007-02-09

VOTA NÃO!!


«Os teus filhos
não são teus filhos.
São os filhos e as filhas
do desejo da Vida por si própria.
Vêem através de ti,
mas não de ti,
e, apesar de estarem contigo,
não te pertencem»
.


Kahlil Gibran, O profeta

2007-01-28

Quando o amor vos faz sinal

Quando o amor vos faz sinal, segui-o,
Embora os seus caminhos sejam duros e escarpados.
E quando as suas asas vos envolvem, cedei-lhe.
Embora a espada escondida na sua plumagem possa ferir-vos.
E quando ele vos fala, acreditai nele.
Embora a sua voz possa desfazer os vossos sonhos, como o vento norte devasta os vossos jardins.

Pois assim como a amor vos coroa, também deve crucificar-vos. Assim como é para vosso crescimento, é também para vossa poda.
Assim como o amor se eleva à vossa altura e acaricia os vossos ramos mais débeis, que tremem ao sol,
Assim penetrará até às vossas raizes e vos firmará no seu apego à terra.

Como molhos de trigo vos arrebata.
Bate-vos para vos pôr a nu.
Peneira-vos para vos libertar do vosso folhelho.
Tritura-vos até à brancura.
Amassa-vos até que fiqueis maleáveis;
E então vos entregará ao seu fogo, para que possais tornar-vos o pão sagrado do festim de Deus.

Todas estas coisas vos fará o amor para que possais conhecer os segredos do vosso coração e tornar-vos, mediante esse conhecimento, um fragmento do coração da Vida

Mas se, por medo, procurais apenas a paz do amor e o seu prazer,
Então vale mais cobrir a vossa nudez e sair da área do amor,
Para vos dirigirdes a um mundo sem estações em que podereis rir, mas não todos os vossos risos, e chorar, mas não todas as vossas lágrimas.

O amor só dá de si mesmo e só toma de si mesmo.
O amor não possui e não quer ser possuído;
É que ao amor basta o amor.

Quando amais não deveis dizer “Deus está no meu coração”, mas antes, “eu estou no coração de Deus”.
E não penseis que podeis conduzir o curso do amor, pois o amor, se vos achar dignos, dirigirá a vossa caminhada.

O amor não tem outro desejo que não seja realizar-se.
Mas se amais e deveis ter desejos, que sejam estes.

Khalil GIBRAN, le Prophète,
Casterman (1977).

2007-01-22

Na Sinagoga de Nazaré


– Lembras-te daquele dia em que Ele leu o texto de Isaías na Sinagoga de Nazaré?
– Se me lembro! Na tarde daquele Sábado, naquela Sinagoga que nos viu crescer... Ainda hoje fico arrepiado ao recordar esse dia! Como tudo mudou desde então.
– Quando Ele fez sinal para ler o texto sagrado, todos o olharam com um misto de fascínio e desconfiança, lembras-te?
– E o prolongado silêncio que se fez quando leu a passagem: «O Espírito do Senhor está sobre Mim… porque Me enviou a anunciar a Boa Nova aos pobres, a liberdade aos cativos, a vista aos cegos…» Parecia que o tempo tinha parado.
– Ele propôs-se promover o Homem todo e todos os Homens, inclusive aqueles que não tinham valor na nossa sociedade, aqueles que eram malditos: os leprosos, os ladrões, as prostitutas, os sem mãe, os indesejados.
– Sim, nunca excluiu ninguém. E o milagre que fazia era que ao promover, transformava-os. Ele fez-nos compreender que todos são amados de Deus, que somos manifestação desse Deus, Belo e Bom.
– Sinal de Deus, Belo e Bom, mesmo quando ainda estávamos a ser formados no ventre das nossas mães…


David

2007-01-07

O mail dos Reis Magos

Caro Baltazar,
Já viste a Estrela que brilha no firmamento? Lembras-te de conversarmos sobre o seu significado? Recordas-te do que prometemos?
Acho que está na altura de cumprirmos essa promessa: despacha os assuntos mais urgentes e prepara-te para partir. Não podemos perder a oportunidade de conhecer esse Rei dos Judeus que acaba de nascer.
A viagem vai ser longa e custosa. Por isso, escolhe o camelo mais forte que tiveres e não te preocupes com a comida, pois já tratei de tudo, inclusive dos passaportes…. Já falei também com Melchior que irá connosco. Vai ser divertido… Estou ansioso para encontrar esse Deus-Menino! Não te esqueças de trazer contigo um bom presente, até porque os pais devem precisar. Eu levarei um pouco de ouro. O Melchior disse-me que levaria incenso. Não queres oferecer um pouco da tua mirra para ungir Aquele que é o Messias?
Bem, já me alonguei…. Dentro de duas horas estarei com Melchior na tua casa para partirmos.
Até logo. Um abraço

Gaspar

2006-12-07

Crer em Jesus, porquê?


S. João apresenta-nos o seu Evangelho como um caminho para a fé em Jesus. É fascinante o poder e importância que tem o verbo Crer para S. João. Aqui ficam mais algumas notas sobre o trabalho que tenho vindo a desenvolver.
Ao longo das aulas temos vindo a aperceber-nos da riqueza e centralidade que representa para S. João a fé, o crer na pessoa de Jesus. Das 241 vezes em que aparece este verbo no NT, 107 delas pertencem a S. João. Por si só, este dado é já bastante significativo.
Outro aspecto muito interessante observar, são os benefícios que aquele que crê pode obter. Neste sentido, o Evangelho apresenta-nos um conjunto de efeitos que também não é igualado por nenhum outro Evangelista. Entre outros, os efeitos mais significativos que S. João nos apresenta para aqueles que crêem em Jesus são: tornar-se Filhos de Deus (1,12); obter a vida eterna (3,15-16 e 36; 5,24; 6,40 e 47); não ser condenado (3,18); nunca ter fome ou sede (6,35); conhecer Jesus e o Pai (4,42; 6,64 e 10,38); passar da morte à vida (5,24); receber o Espírito (7,39); tornar-se “discípulo” de Jesus (8,31); ver a glória de Deus (11,40); tornar-se Filho da Luz (12,36); fazer as obras de Cristo ou ainda maiores (14,12); e, ter a vida em Seu nome (20,31).
Desta forma plurifacetada responde S. João ao leitor que, percorrendo e meditando o seu Evangelho, vai progressivamente sendo convidado a descobrir os dons que serão dados a todos os que crerem em Jesus. Crer é a porta para muitos e grandes dons que Cristo tem para oferecer...

B.

2006-12-02

O teu caminho, Pedro…

Segue o teu caminho, ó peregrino,
Há tesouros que esperam por alguém que os descubra,
Há santuários que anseiam a tua visita,
Há peregrinos que precisam da tua ajuda para prosseguirem viagem…

Segue o teu caminho, ó peregrino,
Sê companheiro do sol,
Irmão da lua,
Amante da chuva,
Cúmplice da solidão,
Semeador de sonhos,
Guarda fiel dos segredos de roteiros antigos.

Segue o teu caminho, ó peregrino,
Percorre as veredas esquecidas,
Os campos nunca percorridos,
Os atalhos que só as estrelas conhecem,
As pontes onde os apaixonados se encontram.

Segue o teu caminho, ó peregrino,
No infinito do azul do céu,
Há um espaço que só a ti te pertence,
E esse Deus que te fez sair da casa dos teus pais,
Aquele que te fez peregrino,
Há-de ser o teu guia,
Na longa viagem até à Eternidade.

Segue o teu caminho, ó peregrino!


(Daniel)

2006-11-12

Paixão segundo João


Ontem, dia de S. Martinho pela noite, sensivelmente metade dos alunos do 5º ano do curso de Teologia foram avistados no chamado “Convento das Mónicas” e imediações. Isto não é nada normal. Será que foram a um magusto ou coisa parecida!? Bom, eu estive lá e posso assegurar que não foi essa a razão!...
Na verdade, fomos convidados pelo Padre e Professor Tolentino Mendonça para assistirmos a duas peças de teatro, em exibição no já referido “Convento das Mónicas”. Metade da assembleia era composta por teólogos, o que não é nada comum acontecer!
E, afinal, qual foi a razão de tal feito? O nosso interesse, nesta iniciativa, prendeu-se, sobretudo, a uma das peças que vimos: “Paixão segundo João”. Estando nós a estudar a fundo o Evangelho de S. João, achámos enriquecedor ver e estudar a forma como Tarantino, o autor da peça, nos apresenta o mesmo Evangelho. Para quem não O conhece, é difícil (senão mesmo impossível) apreender a riqueza da peça. Para quem conhece o Evangelho, revela-se entusiasmante descobrir, ao longo de toda a peça, quais as passagens e de que forma estão a ser representados os vários momentos cruciais da Paixão de S. João. É, enfim, uma peça a não perder e que aconselho vivamente.
A outra peça: “Stabat Mater” foi um bónus com o qual nos brindaram. Também neste caso, vale a pena ver.
No final destes dois momentos, tivemos ainda a oportunidade para conversar um pouco com o responsável pela organização das peças, que nos deu preciosas pistas para a compreensão das mesmas. Embora o nome o sugira, não são peças de cariz religioso. São, isso sim, obras profanas, na medida em que se apropriam de textos usados exclusivamente no espaço do sagrado e os transformam/transportam para realidades mundanas, bem presentes na nossa sociedade. Por isso não admira que ambas as peças não possam ser vistas por quaisquer pessoas: a 1ª é para maiores de 12 anos e a 2ª para maiores de 18 anos...
Em poucas palavras: a não perder!...
Ambrósio

2006-11-05

O Amor como madamento



«Amar a Deus com todas as forças e ao próximo como a si mesmo, vale mais que todos os holocaustos e sacrifícios»
O que é que move a minha vida?

Uns dizem que o que faz o homem viver, o que dá sentido, é a busca de prazer. O desejo é o fundamento da acção, às vezes conflituosa, de cada ser humano. Outros dizem que é a procura do poder. Somos animais sedentos de protagonismo e a vida assemelha-se a um ringue em que o outro, o próximo, é meu rival, aquele que compete comigo pelo poder.
Não excluindo alguma verdade que existe nestas teorias, o motor da vida de cada crente deve ser o amor, «ágape», isto é, um amor oblativo próprio de quem é capaz de morrer para ser fonte de vida para o outro. As mães sabem bem o que isso é… E o amor é um mandamento, um dever, que deve ser vivido por cada um dos baptizados, pois só assim seremos verdadeiramente discípulos do Senhor.
David

2006-10-11

Testemunho sacerdotal – despertar vocacional

Nós os missionários/padres temos cada vez mais trabalho porque, ao mesmo tempo que diminuem os recursos humanos, multiplicam-se os campos da nossa actuação missionária e pastoral.
Para muitos de nós a jornada é longa, rareiam os momentos de paz e escasseiam os momentos de formação e oração pessoal…
Nestas condições será possível a um sacerdote ser feliz? É possível defender-se deste ritmo “stressante” da vida e compatibilizar isso com a felicidade? É possível “digerir” os desgostos humanos e pastorais sem perder a paz interior?
Muitos conseguem-no e por isso são admiráveis!
Vê-se que trabalham com fé, que se sentem apoiados por Cristo Jesus. Não são simples funcionários ou mercenários do sagrado, mas sentem-se vocacionados para a missão pastoral/missionária da Igreja. O seu trabalho e dedicação ao ministério – evangelizador, litúrgico, catequético, caritativo, comunitário – é um verdadeiro caminho de “cristificação” e, por isso, o seu maior motivo de satisfação interior e de felicidade.
É verdade que S. Paulo se sentiu, às vezes, cansado e desanimado porque as comunidades não lhe respondiam sempre segundo as suas expectativas. Contudo continuava fiel ao seu ministério e mostrava a alegria profunda que sentia na sua missão. O próprio Jesus se entristeceu pelo escasso eco que as suas palavras encontravam no seu povo. No entanto, continuou com firme decisão o seu caminho, e, na Última Ceia, mostrou que o fazia com alegria. Mais ainda, orou assim: “Que a minha alegria esteja convosco e a vossa alegria seja completa”.
Ditosos os sacerdotes que terminam a jornada pastoral cansados – muitas vezes mesmo, com mais uma desilusão pastoral às costas, sem grande esperança que o dia seguinte seja melhor – mas dispostos a continuar a semear, fazendo o bem, representando Cristo, ajudando as pessoas, porque são depositários da alegria de Cristo.
Se nos deixamos penetrar pela alegria de Cristo, que não é feita só de êxitos pastorais e missionários, mas também de esforço, mesmo que, às vezes, nos possa parecer inútil, mas sempre com a convicção de que Ele “está connosco” todos os dias e nos elegeu como seus sinais sacramentais também nos momentos mais difíceis, nada, nem ninguém nos impedirá de sermos felizes no nosso ministério.
Se olharem para nós e nos virem como sacerdotes empenhados, preparados, pobres, cansados mas felizes; felizes no que fazemos, não tenho dúvidas de que isso funcionará como um factor vocacional que interpela e convida os mais jovens a atender ao chamamento de Deus e a dedicarem a sua vida em favor dos outros no ministério missionário e sacerdotal.
Animação Vocacional
Pe. Fernando, CM

2006-10-09

A palavra "CRER - PISTEÚW" em S. João

Com a entrada em vigor do famoso tratado de Bolonha, algumas coisas mudaram profundamente, nomeadamente, a forma de avaliação. A mais curiosa foi a que o Dr. Tolentino implementou para a cadeira de escritos joaninos, da qual também faço parte. Não haverá exame final e a avaliação será contínua. Esta será feita a partir de um trabalho que cada aluno terá de realizar ao longo do semestre. Neste sentido, cada um de nós foi convidado a escolher uma palavra do Evangelho de S. João que nos parecesse essencial para uma compreensão teológica do mesmo Evangelho. Fomos ainda convidados a participar num blog, onde, todas as semanas, teremos de dar contas das pesquisas feitas por cada um sobre a palavra que escolheu.
Trascrevo a palavra que escolhi e as razões que me levaram a escolhê-la. Convidoo ainda a ler o blog da cadeira, onde poderá acompanhar de perto o trabalho realizado pelos meus restantes colegas. O blog é o seguinte: http://joaninos.blogspot.com/


A Palavra CRER no Evangelho de S. João

No seu Evangelho esta palavra/verbo ocorre 98 vezes, mais uma usada no sentido de fé (Pistós - Jo 20,27). Na 1ª carta de S. João o verbo PISTEÚW surge 7 vezes e nenhuma nas restantes cartas. No Apocalipse o verbo não aparece nenhuma vez.

Quanto às razões que me levam a pensar que esta é uma palavra que nos oferece um bom trilho para lermos e entendermos de forma correcta o Evangelho e escritos de S. João, aponto alguns aspectos:
1. Esta é uma das palavras que mais se repete nos Escritos de S. João, sobretudo, no seu Evangelho (98 vezes).
2. É usada, quase exclusivamente, no seu sentido activo e dinâmico (só uma vez é usado o termo fé, sentido passivo do termo grego Pistéuw); assim, esta palavra enquadra-se na ideia geral de movimento e transformação na qual S. João pretende introduzir o leitor, ao ler o Evangelho.
3. É uma palavra transversal a todo o Evangelho, ao contrário de muitas outras palavras que usa; não surge apenas em 3 capítulos do Evangelho: caps. 15, 18 e 21.
4. Se excluirmos o cap. 21, que dá a entender ser um acrescento ao Evangelho original, o termo aparece referenciado com especial intensidade: 2 vezes no último versículo antes da conclusão - 20,29 e 2 vezes na conclusão - 20,31. Neste sentido, parece-me de especial interesse o facto de as últimas palavras de Jesus serem estas: "Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto!" (Jo 20,29).

Ambrósio