2006-03-26

Mas afinal, a Páscoa não é a grande festa dos cristãos?

O que vou aqui partilhar tem pouco ou nada a ver com a Quaresma, enquanto caminho de preparação para a Páscoa. Ou, visto de outra perspectiva, se calhar até tem... Refiro-me a um dos muitos assuntos interessantes que abordamos numa das cadeiras que temos na Universidade.
Numa das últimas aulas o professor “quase” pôs em questão a importância primordial que tem e representa para nós a celebração da Páscoa... Não se trata de nenhuma heresia... De facto, simplesmente nos chamou à atenção para a importância fundamental que chegou a ter uma outra celebração cristã, em determinado momento da história da Igreja, talvez a mais importante de toda a cristandade a par da Páscoa. Que celebração ou solenidade é esta? Bom, trata-se de uma pergunta à qual não saberia responder, nem de longe nem de perto, sem esta aula a que me reporto. Sem mais rodeios, é ela a solenidade do Corpo de Deus... Pessoalmente, nunca me tinha apercebido da grande influência que esta teve para o universo cristão. A sua centralidade e importância, com o seu apogeu entre os séculos XVI e XIX, deve-se ao facto de ser entendida como a celebração da identidade cristã, invocando o triunfo do amor de Cristo pelo Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Era nela que os Cristãos se reviam como família e membros do Corpo de Cristo.
Para realmente nos apercebermos da influência desta solenidade basta recuarmos até à contemporaneidade do nosso Fundador, S. Vicente de Paulo, e à constituição, por exemplo, da “Companhia do Saint Sacrement”. O próprio S. Vicente pertenceu à mesma. O nome da companhia, que não foi escolhido ao acaso, reforça a ideia atrás referida acerca da importância da solenidade do Corpo de Deus como a grande celebração da identidade cristã; o seu objectivo era a defesa de um rei católico para França, face ao avanço do protestantismo ou huguenotes. Ao mesmo tempo surgem alguns Institutos centrados na adoração ao Santíssimo Sacramento; até mesmo nas aparições de Fátima é possível verificar esta influência e importância, aquando da 3ª aparição do Anjo, no Outono de 1916, com um cálice e uma hóstia por cima deste, da qual pendiam gotas de sangue.
Contudo, a influência que outrora teve a solenidade do Corpo de Deus, seguramente impulsionada por factores históricos vários, foi-se esmorecendo. Exemplo disso é o facto de só Portugal manter o feriado na solenidade do Corpo de Deus. Sem dúvida que isto daria para uma boa tese de licenciatura...
A terminar, tudo isto faz-me lembrar uma pequena oração que o meu pai me ensinou, creio que antes ainda de eu iniciar a catequese, para rezar no início de cada Eucaristia: “Bendito, louvado e adorado seja o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, fruto do ventre sagrado da Virgem puríssima Santa Maria”. Falta qualquer coisa à oração, mas no seu essencial está correcta...
Ambrósio


2006-03-12

Em passeio... – Segundo Domingo da Quaresma

«Tomou consigo Pedro, Tiago e João e subiu com eles sós, em particular, a um monte muito alto» (Mc 9,1)
Às vezes imagino que sou um dos discípulos do Evangelho de hoje. Com Jesus subo ao monte para descansar um pouco, para me defender do barulho da multidão que todos os dias reclama milagres e alimenta polémicas. Imagino que conversamos apaixonadamente, durante o percurso, sobre as coisas de Deus e do mundo. Imagino um Jesus verdadeiramente homem, a quem lhe falta o ar quando apressámos o passo na íngrime subida, que tem sentido de humor, que aprecia as plantas à beira do caminho, que fecha os olhos para respirar, calma e profundamente, o ar fresco perfumado pelas flores.
E os momentos que passo com Ele assemelham-se à desejada plenitude Eterna. Há uma inexplicável satisfação de estar ali, apenas por estar ali, com Ele. A certa altura, ouço, surpreendido, a Voz que se esconde na nuvem: «Guarda e anuncia a Palavra do meu amado Filho». E descubro que, com Ele, também eu, David, sou realmente Filho Amado – Pai Nosso que estás nos céus....
E desejo que esse tempo de plenitude seja, para cada um de nós, Eternidade.

David

2006-03-01

Dia de reflexão

Ao iniciarmos a Quaresma com a quarta-feira de cinzas somos convidados a reflectir na caminhada que vamos fazer.
Que “programa” e com que propósito vou eu viver esta Quaresma? Como estão dispostas as minhas mãos para acolher esse mistério que a todos vem salvar? Estou preparado para iniciar o combate espiritual a fim de purificar a consciência, o agir…
O dia de hoje, como dia de reflexão, será o dia em que construirei os alicerces desta caminhada de conversão que Jesus viveu no deserto.
Comungando da mensagem evangélica e dos princípios eclesiais para este tempo, sejamos capazes de solidificar a nossa caminhada na ascese (jejum), na oração (diálogo e escuta da Palavra de Deus) e na caridade (esmola para com a pessoa ou situação mais necessitada).
Com estes alicerces bem solidificados pela sua vivência posso olhar para o mundo actual e, ao longo destes quarenta dias, transformar o meu dia a dia em realidade de encontro com Cristo.

Crisóstomo

2006-02-12

A proximidade e o contacto

Era um homem transfigurado pela lepra. Estigmatizado e rejeitado pela sociedade, conservava um réstia de esperança no Homem que diziam ser o Messias. «Talvez Ele me pudesse salvar» - pensava.
Desejava, no fundo do seu coração, voltar a ver os filhos que tanto amava, a mulher com quem casara, a família e os amigos que, num passado longínquo, tivera de deixar. Era um condenado que não aceitava passivamente o seu destino. Ele queira viver!
Naquele dia, o leproso, ao contrário de outros tantos leprosos, tentou a sua sorte. Aproximou-se de Jesus e pediu-lhe para ser curado. Jesus, compadecido, falou com ele, tocou-o, abraçou-o e o milagre aconteceu: a lepra deixou-o.

Às vezes, tantas vezes, como no caso do leproso, a proximidade e o contacto de quem realmente ama é suficiente para salvar uma vida. Não é preciso grandes gestos... o essencial é muito pouco. Um pouco que é tudo!
Basta ser próximo e tocar.

David

2006-01-26

«O Deus que chega!»

«O Deus que chega!»

Assim, com este nome, o povo makua define as primeiras chuvas. Nós as consideramos como uma autêntica bênção de Deus.
À noite Deus nos visitou... choveu!
Estávamos à espera todos os dias; com as gentes da terra, rezávamos por esta visita em todos os encontros de oração. A terra, também o pedia. Nunca, como nesta época, as palavras do profeta: «Abre-te Céu e que desça o Salvador!» tiveram tanto realismo.

Esta experiência não passou como mais uma nas nossas vidas. A falta de água, um direito elementar de todo o ser humano, não poder ficar encurralada na causalidade de um fenómeno natural. A natureza está a passar-nos a factura, está a perguntar-nos, como Yaveh a Caim: «Onde está o teu irmão?» A nossa terra irmã está a suplicar-nos que a cuidemos para que ela nos cuide.

Nós, os que apostamos na vida, deveríamos ser os primeiros a cuidar os nossos passos, os nossos gestos e atitudes face à nossa grande casa. Estão a sujar as vestes de Deus, estão a cortar uma parte do seu vestido de festa e sem ele nunca mais poderemos celebrar a autêntica festa da vida.

Obrigado pela tua oração... agora resta-nos o desafio de semear, de não contaminar, de denunciar com coragem a inconsciência dos que apostam por outro vestido (também verde) de papel, efémero.

Quando a última árvore estiver ao ponto de cair, dar-nos-emos conta que não será possível beber dólares.

Peçamos perdão pelos nossos silêncios perante esta tragédia!

Sérgio, CM.

2006-01-16

Um pedido...


Mais uma vez, como todos os anos, estamos a viver a angústia da falta de água. Os chineses e os grandes interesses instalados em Moçambique estão a acabar com as poucas árvores que ainda restam....
Perante a força do mal, peço-te a força da oração. Apenas nos resta isso...

Obrigado pela tua oração, pedindo água para este povo,

P. Sérgio, CM, missionário em Moçambique.

2006-01-15

Vocação


«Veio então o Senhor e aproximou-Se. E chamou como das outras vezes: “Samuel, Samuel!” este respondeu: !Falai Senhor, que o vosso servo escuta”.» (1Sam 3, 19).

Há uma voz divina que não cessa de chamar pelo teu nome.
Ela desafia-te a voar mais alto e a ver o mundo com os olhos de Deus.

Levanta-te, pois, está na hora de arriscar! Porque Deus precisa de ti, da tua voz, do teu coração, da tua inteligência, da tua vontade, de tudo o que és.... precisa de ti, porque sem ti, meu irmão, Ele não Se revela no mundo.

E se Deus te chama é porque te consagrou profeta para os dias de hoje.

Levanta-te e vamos...

2006-01-10

Hino à Caridade

«A Caridade é paciente
porque suporta com serenidade as ofensas recebidas.
É benigna,
porque paga generosamente o mal com o bem.
Não é invejosa,
porque nada desejando deste mundo, não inveja os êxitos terrenos.
Não é orgulhosa,
porque, desejando só o prémio da retribuição interior, não se exalta com os bens exteriores.
Não é inconveniente,
porque, sendo o seu único objectivo o amor a Deus e ao próximo, ignora tudo o que se afasta do recto caminho (…)
Não se alegra com a injustiça
porque se empenha unicamente no amor para com todos,
Não se regozija com a ruína dos seus adversários.
Mas alegra-se com a verdade,
porque, amando os outros como a si mesma, ao ver neles a rectidão,
Alegra-se como se se tratasse da própria honra e proveito»

(S. Gregório Lib. 10, 7. 8. 10)

2005-12-18

Em Missão

Caro amigo,

Faltam poucos dias para celebrarmos o nascimento do nosso Salvador. Nesta sociedade materialista que trocou o Menino Jesus pelo Pai-Natal, a proximidade do Natal significa, em geral, ir às comprar. As ruas da cidade, as lojas comerciais enchem-se nesta época de pessoas que avidamente procuram novos produtos que possam surpreender. Preparam-se refeições, enfeitam-se as casas, dependuram-se nas janelas ou nas chaminés bonecos vestidos de vermelho.... porque é preciso fazer crer que o Pai-Natal existe mesmo.

Será isto Natal?

Nestes dias que antecedem a grande festa, proponho-te, amigo leitor, que percorras outros caminhos, que os teus dias seja diferentes daqueles que vêm no Natal apenas mais uma festa anual como outras tantas. Olha para dentro de ti, examina o teu coração e expulsa dele tudo o que te separa de Deus e dos irmãos: a arrogância, o ódio, a inveja, o ressentimento, a vaidade, etc... Prepara o teu coração para que Jesus possa nascer nele. Como Maria, a mãe de Jesus, diz SIM ao projecto de Deus. Deixa-te fecundar pelo Seu Espírito.

Se assumires esta missão, serás, onde vives, sinal da Presença de Deus. A tua vida se transformará e, através ela, também se poderão transformar as vidas dos irmãos que vivem contigo. Não tenhas medo! Onde quer que estejas – na tua família, na tua comunidade, no hospital, na cadeia, etc. – vive este tempo como tempo de Missão para acolheres Aquele que nasceu para nos salvar.


David

2005-12-14

S. João da Cruz

Já que o tempo chegava
Em que fazer-se convinha
O resgate da esposa
Que num duro jugo servia
Sob aquela lei
Que Moisés lhe havia dado,
O Pai com terno amor
De esta maneira, dizia:
- já vês, Filho, que a tua esposa
Feita à tua imagem,
E no que a Ti se parece
Contigo bem convinha;
Mas difere na carne
Que em teu simples ser não havia.
Em amores-perfeitos esta lei se requeria;
Que se faça semelhante
O amante a quem queria;
Que a maior semelhança
Mais deleite continha;
A qual, sem dúvida, como tua esposa
Grandemente crescerá
Se te vir semelhante
Na carne que tinha.

S. João da Cruz, poesia 7

2005-12-04

No deserto

«Uma voz clama no deserto: “preparai o caminho do Senhor...”»

A leitura deste domingo sugere-nos que o deserto é um lugar onde, confrontados com o que realmente somos, nos purificamos para receber o Senhor. O deserto não é uma fuga ao mundo, mas uma forma de estar e de viver no mundo. É o lugar do baptismo de arrependimento que João Baptista continua a oferecer.
Quando assumimos conscientemente essa etapa “purgativa”, na solidão que reclama o encontro com o Deus vivo, longe da confusão estonteante da sociedade, preparamos um caminho para a vinda Deus.
É impossível celebrar o nascimento de Deus sem a experiência prévia da passagem pelo deserto.
Concede-nos, Senhor, a graça da determinação.

David

2005-11-27

ADVENTO

Acredito na vida como um Advento:
Acredito que as árvores que parecem mortas hão-de ressuscitar.
Acredito que o céu cinzento há-de se vestir de novo de azul e o sol voltará a brilhar.
Acredito que aquele que dorme na rua há-de ter um lar e uma família.
Acredito em Deus, num Deus que se fez homem e continua vivo em nós.
Acredito em mim, no poder transformador do Homem, na sua capacidade de construir o Reino de Deus.
Acredito que um dia voltaremos a ser como crianças, que a alegria há-de vencer o medo e que a Vida superará a morte.
Acredito que a Paz é possível e que podemos viver, lado a lado, como irmãos, independentemente da cor, raça ou religião.
Acredito que o Amor pode fazer milagres e que todos os dias podemos amar.
Acredito na vida porque vivo-a como um Advento.

David


2005-11-17

O Pão da Palavra

Depois de uma breve leitura sobre S. Bernardo de Clareval, pareceu-me oportuno deixar uma pequena reflexão deste santo sobre a Sagrada Escritura:
"Por pouco que se possa ajudar as almas que procuram o Senhor com o seu espírito e afecto, deverei responder e satisfazê-las, extraíndo da Sagrada Escritura, da qual estou convencido dimana a vida, algo decisivo e espiritual, para que comam os desvalidos até ficarem saciados e vivam seus corações".
Num tempo com variados caminhos que nos chamam para aí alimentarmos o nosso coração, deixo aqui estas palavras, muito a propósito, sobre um alimento diário: ao levantar, a meio e a final do dia. Vamos ruminar a Palavra de Deus e concretizá-la ao longo do nosso dia no contacto com os outros!

Crisóstomo

2005-11-13

Teresinha do Menino Jesus e os talentos na Igreja

A parábola dos talentos recorda-me que, como baptizado, tenho responsabilidades no seio da Igreja que devem ser assumidas. Deus confiou-me alguns os Seus bens, alguns talentos, para que os faça render em favor de todos os irmãos.

Ao longo desta semana, em Lisboa, durante o Congresso Internacional para a Nova Evangelização, as relíquias de Santa Teresinha do Menino Jesus estiveram na Sé para serem veneradas pelos fiéis. Santa Teresinha, a jovem Carmelita, aquela que apesar de nunca ter saído do convento, tornou-se a Santa dos Missionários, no seu processo de discernimento vocacional escreve:

«Considerando o corpo místico da Igreja, (...) entendi que só o Amor faz os membros da Igreja agir, e que se o amor viesse a faltar, os apóstolos não anunciariam o Evangelho, os mártires não derramariam o seu sangue. Compreendi que o Amor encerra todas as vocações, que o Amor é tudo. Que ele inclui todos os tempos e lugares. Então, no excesso da minha alegria gritei: Ó Jesus, meu amor, encontrei finalmente a minha vocação... A minha vocação é o Amor. No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor»

Ela fez render os talentos que Deus lhe confiou. Que grande exemplo nos deixou...

David

2005-11-01

Procuram-se santos

A santidade não está na moda. Se fizéssemos uma sondagem aos transeuntes das ruas da nossa cidade, vila ou aldeia e se lhes perguntássemos pelos seus desejos mais prementes, ouviríamos respostas deste género: «pois, gostava de ter um carro mais rápido, uma casa maior, uma mulher mais bonita, um marido mais assim ou assado» e por aí adiante. Mesmo entre nós, cristãos praticantes, julgo que as respostas são seriam muito diferentes.

Infelizmente, parece-me que a santidade não faz parte dos nossos bens desejados, nem está na lista dos nossos objectivos pessoais, nem entra nos nossos sonhos. É algo de outros tempos... Porquê? Talvez porque a julgamos fora do nosso alcance; talvez por medo do que os outros possam dizer a nosso respeito se trabalharmos diariamente para que esse ideal se torne real em nós; talvez porque é mais cómodo viver sem essas inquietações.

Mas a nossa vida de baptizados sem o desejo de viver em santidade será semelhante à de tantos irmãos que desconhecem a mensagem de Jesus. E a Igreja precisa, como a terra árida precisa de água, de novos santos, novas referência, novos modelos que actualizem a mensagem de Jesus neste mundo.
Queres ser santo?



David


2005-10-24

Quanto tempo o tempo tem...

"Os sonhos de Einstein" trata-se de uma peça de teatro que teve a sua estreia no passado sábado, dia 22 de Outubro, no Trindade. Os excelentes actores, o humor, a música e, sobretudo, o canto de vozes extraordinárias, proporcionaram-nos um grande espetáculo e uma tarde bem passada; sem dúvida, a melhor peça que assisti, mas este facto não deve ser tido em conta visto que foi apenas a segunda vez que fui ao teatro. Mas vale mesmo a pena ver... São quase duas horas de espetáculo em que nos é representada a vida de Einstein à volta da sua famosa teoria da relatividade, o tempo e os seus sonhos com a sua misteriosa amada. Isto chega para abrir o apetite; o melhor é mesmo ver a peça, que fica a ganhar muito pela música e canto. Fica a sugestão para quem quiser passar um bom bocado...
E já agora: "Quanto tempo são seis segundos?" É com esta pergunta que começa a peça... pensem na resposta...
Para mais pormenores pode consultar a página web www.teatrotrindade.inatel.pt
João

(IR)RESPONSABILIDADE SOCIAL…


No último sábado, dia 22, regressei aos Bairros 6 de Maio e Estrela de África (Amadora), na minha actividade de Pastoral. Fui participar na reunião de um dos grupos de missão que acompanho (“No djunta mon”), um grupo de guineenses.
A reunião correu muito bem e foi bom voltar a estar com aquela gente tão simples mas tão sedenta da Palavra de Deus como de atenção.
Antes da reunião, guiado por duas Irmãs dominicanas do Rosário, que aí têm uma comunidade, visitei uma das zonas que foram destruídas devido aos planos de realojamento.

Fiquei escandalizado!
Bem ou mal, retiraram as pessoas dessa zona.
Bem ou mal, levaram-nas para novos alojamentos.
Nada bem e muito mal, destruíram as barracas dessa zona do Bairro e deixaram os escombros no local.
O facto é que aí se reproduzem as ratazanas e outros animais.
Aí estão os canos da água a jorrar (e ainda dizem para pouparmos água…).
Aí andam as crianças do bairro sujeitas a magoar-se ou a ser mordidas pelas ratazanas (o que já aconteceu).

Será que esta gente é menos gente?
Será que o facto de serem pobres imigrantes, muitos deles ilegais, faz deles menos gente?
Será que, porque não são fonte de votos, são menos merecedores de atenção?
(Nem falo da sua cor de pele… prefiro acreditar que esse factor não é significativo…)
Será que a Câmara Municipal da Amadora distingue munícipes de primeira e de segunda?

Há que ser muito irresponsável para nada fazer perante tal situação!!!
Pelos vistos, em algumas zonas, reina a irresponsabilidade social!!!
É o país que temos!!!

MARTYR

2005-10-21

Por uma sociedade melhor

No nosso dia a dia as notícias que nos invadem, em geral, têm a ver com a situação económica do país: suas causas, vivências e possíveis soluções. Trata-se de um tema, digo-o com sinceridade, que já nem consigo ouvir, principalmente as mentes brilhantes que o comentam: “falam, falam, falam e não fazem nada…” Como problema central na sociedade hodierna, ele arrasta consigo muitos outros problemas que acabam por degenerar a sociedade… Mas não vou entrar por aí!
Ao passar os rápidos olhos pelo jornal diário, houve uma pequena notícia, relegada para as páginas onde fica a virtude, que li, reli, meditei e decidi partilhar. Trata-se da ACEGE(Associação cristã dos empresários e gestores) que decidiram elaborar um CÓDIGO DE ÉTICA, onde todos os membros são convidados a assinar, a título pessoal, um código onde prometem, por exemplo, “lutar contra todas as situações de fraude, pela justa remuneração dos seus colaboradores, pelo combate à evasão fiscal e à fraude”… e podia continuar a enumerar aqui os traços deste CÓDIGO DE ÉTICA.
Contudo o importante deste gesto, na minha humilde opinião, é, sem dúvida, a iniciativa deste grupo da sociedade (empresários) que assumem valores, não só cristãos, mas que são de toda a sociedade. São pequenos gestos que o cristianismo, ano após ano, século após século, vem apregoando aos ouvidos da sociedade e que não são apenas para aqueles que vivem como baptizados, mas para toda a sociedade.
E se todos nós, cristãos, assumíssemos as nossas raízes morais e éticas? A sociedade não viveria melhor? Certamente este problema é de todos, mas não é a sociedade portuguesa ainda maioritariamente cristã? E se fossemos os vanguardistas nesta matéria, tal como este grupo e outros que vivem ofuscados pela luz do consumismo e do individualismo?
Espero também não ser daqueles que
falam, falam!!…

Crisóstomo

2005-10-17

Alice

Alice é um filme (até parece um reportagem alargada, mas sem comentários) de Marco Martins que conta a história de um casal cuja a filha, Alice, desaparece sem deixar sinal.

A mãe da desaparecida vive como uma alma penada num purgatório que a castiga por um pecado nunca cometido; o pai – um sujeito sempre vestido de preto, de olhos fundos e escuros, cabelo e barba como as noites mais escuras, tudo negro como que a indicar o estado de espírito em que vive – cumpre diariamente uma série de rituais na esperança de descobrir Alice. Grande parte do filme revela a obsessão do pai que procura desesperadamente a sua filha entre as milhares de pessoas anónimas que todos os dias percorrem a cidade de Lisboa.

Alice terá sido o filme com menos palavras que vi nos dias da minha vida. Pobre nas palavras e nas cores, lento nas sequências, mas rico em imagens e na forma de transmitir uma mensagem. Uma pobreza que é riqueza porque meio deliberadamente escolhido para dizer o que não pode ser dito por meio de palavras, mas através de expressões corporais, sobretudo do olhar e das cores das manhãs frias e cinzentas.

A banda sonora do filme também é pobre: só de tempos a tempos ouvimos um clarinete acompanhado por um piano que amplifica as dores do casal, que revela ao ouvinte o estado de «transe» em que eles se encontram.

Em Alice o espectador é contagiado pelo drama do casal. Um drama infelizmente bastante real na nosso mundo. É também contagiado pela beleza da cidade de Lisboa.
O cinema português está de parabéns!

David

2005-10-16

Dar a César... e a Deus o que Lhe pertence.

A frase de Jesus «entregai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus» (Mt 22,21) é, provavelmente, uma das mais conhecidas e citadas dos Evangelhos. Há bem pouco tempo, a propósito de um comentário a esta frase, uma boa senhora protestava contra o padre dizendo que «não lhe ficava bem falar desse assunto na Igreja». Para esta senhora, o padre deveria falar apenas de temas espirituais, de assuntos do outro mundo e nos modos de lá chegar e não nos incómodos problemas da realidade, nem nas jogadas que os homens fazem para não cumprirem as suas obrigações em relação ao Estado.

É verdade que esse assunto – isto é, o dever de dar a César, de pagar impostos - nunca despertou grande entusiasmo, nem mesmo entre nós, os crentes. Mas a afirmação de Jesus é clara: eu devo restituir aos Césares deste mundo aquilo lhes pertence. Actuar de outra forma é desonesto e imoral.

Mas mais ainda, devo entregar a Deus o que é d’Ele: como ser criado à Sua imagem e semelhança, o homem pertence a Deus. Entre outros aspectos, esta afirmação recorda-nos que quando nos servimos dos outros como objectos para alcançar os nossos fins, estamos a desrespeitar a obra de Deus. Dominar o homem que por natureza pertence a Deus, escravizar o irmão para proveito pessoal é, deste modo, uma conduta contrária à mensagem divina.


David

2005-10-12

UM ANIVERSÁRIO NA LUZ


Ainda o sol estava com preguiça de sair da cama e a chuva caía sem parar, quando ontem, nesta comunidade, um coro de «angelicais» vozes começou a louvar o Criador… o motivo desse acontecimento, como todos os dias, era o agradecimento pelo dom da vida e sua entrega nas mãos do seu Senhor nesse novo dia que começa, mas ontem havia um motivo especial… um de nós comemorava os 32 anos da sua peregrinação por estas paragens… era o (ontem menino) Nélio! Assim, em comunidade de alegria e fé, celebrámos a Eucaristia de louvor por esse dom para ele, para a sua família, para esta comunidade, para a CM, para a Igreja e para a humanidade.

Embora privados da sua presença na primeira refeição do dia (sim, porque o homem é um desportista!!!), avançámos para a normalidade das nossas actividades diárias, em ansiosa esperança do lauto e farto banquete que à noite nos esperava…

Recebidos os amigos, sempre bem vindos, rezadas as vésperas, começámos o banquete nupcial, embora desta vez sem noiva, e fomos regalando as nossas almas com a companhia e os nossos corpos com as iguarias…

Foi um dia especial… mas também não é todos os dias que se tem motivo semelhante!!!

MARTYR

NOTA – Esta não é nem pretende ser uma crónica… é só uma visão pessoal dos acontecimentos… até porque para cronista designou-se outro… que o seu papel desempenhará com distinção (ver Noticias)…

2005-10-09

Reino de Deus é como um banquete nupcial



A comparação do Reino de Deus com um banquete nupcial não terá surgido por mero acaso no diálogo de Jesus com os homens religiosos do seu tempo. Jesus não compara o Reino de Deus com um templo religioso, uma sinagoga, um lugar de oração, mas sim com um «tempo de festa», um lugar de fartura de comida e bebida, de encontro com os entes queridos, de música e dança, lugar da celebração festiva.
O rei que prepara a festa de casamento do seu filho, diz-nos Jesus no Evangelho de hoje, não obriga ninguém a participar, mas apenas convida. Deixa a cada um de nós, convidados, essa possibilidade de escolhermos entre fazermos festa com Ele ou ficarmos à margem, indiferentes.
Deus convida-nos cada dia que passa a essa intimidade festiva com Ele. Quando, livremente, aceitamos participar nesse banquete, podemos também dizer como S. Paulo dizia aos cristãos de Filipos quando se encontrava preso: «tudo posso por Cristo, que me dá força». A esse Deus que nos faz viver em contínua festa, «Glória pelos tempos sem fim. Ámen.»
David

2005-07-16

Desafio...

«Unido a todos os homens
que lutam por um mundo melhor
quero agradecer-te, Senhor,
a vida que pusestes em minhas mãos,
com tudo o que ela tem
de belo... de procura... de aventura... de risco!
Aceita tudo o que de melhor
começa a despontar em mim,
e que ainda nem conheço bem:
as forças novas e a alegria de viver...
os projectos e as decisões,
a vontade de trabalhar e lutar...
desejo de conhecer e amar...
a inquietação de procurar e conseguir...
a preocupação de servir e partilhar...
Que nada fique estéril em mim,
mas que tudo floresça e dê fruto!
Protege-me, Senhor,
nas incertezas e inseguranças da minha idade.
Defende-me do medo
que atrofia e não deixa fazer opções;
do farisaísmo que alimenta preconceitos
e defende a mentira;
da rotina que mecaniza e destrói as pessoas.
E que pelos meus esforços,
simples mas generosos,
eu me dedique inteiramente ao Teu serviço
e ao dos homens meus irmãos!»
(?)

2005-06-27

“FELIZES SEREIS VÓS QUANDO...”

Felizes os que sabem rir de si próprios: nunca deixarão de se divertir.
Felizes os que sabem distinguir uma montanha de um grão de areia: evitarão muitos aborrecimentos.
Felizes os que não se vangloriam para não se levarem muito a sério:
serão estimados pelos os que os rodeiam.
Felizes os que sabem olhar com seriedade para as pequenas coisas, e com a paz para as coisas importantes: chegarão longe na vida.
Felizes os que sabem admirar um sorriso e esquecer uma afronta: no seu caminho haverá sempre sol.
Felizes os que pensam antes de agir, e os que rezam antes de pensar: evitarão muitas asneiras.
Felizes os que sabem calar e sorrir mesmo quando lhes tiram a palavra, os contradizem e amesquinham: o Evangelho começa a penetrar no seu coração

2005-06-13

«Dai-lhes Senhor o Eterno descanso...»

Na madrugada deste dia 13 de Junho, festa de Santo António, Portugal veste-se de luto pela morte de duas ilustres figuras que marcaram o história portuguesa na segunda metade do século XX: Álvaro Cunhal e Eugénio de Andrade.

Álvaro Cunhal

É digna de memória a postura coerente e corajosa do ex-dirigente do PCP português, Álvaro Cunhal. Homem inteligente e dotado, Álvaro Cunhal destacou-se fundamentalmente pela sua luta antifascista. As teses por ele defendidas (o comunismo na sua essências) não são muito diferentes daquilo que a Igreja defende. Contudo, os meios para alcançar esses fins – maior justiça social, a promoção das classes desfavorecidas – diferem substancialmente.

Eugénio de Andrade

AS GAIVOTAS

«As gaivotas. Vão e vêm. Entram
Pela pupila.
Por fim o mar.
Não tardará a fadiga da alma.
De tanto olhar, tanto
Olhar. »

Eugénio de Andrade é um dos poetas mais lidos e apreciados quer em Portugal, quer no estrangeiro. Deixa-nos uma obra imensa...

«Dai-lhes Senhor o Eterno descanso...»

David

2005-06-10

ouve amigo...

A propósito do fim de semana prolongado, do sol, do cheiro a férias que se torna cada vez mais intenso... lembrei-me de te dizer, como outrora disse o Poeta Júlio Roberto:

«Ouve meu amigo,
não penses que a vida é apenas lutar
e sofrer para sobreviver.

A vida é também ser,
é sobretudo amar, sorrir,
cheirar uma flor,
ter algures um grande amor.

Correr pelos prados com uma canção na boca
e uma estrela no olhar.
Ouvir os pássaros a cantar
e gostar dos grilos a conversar.

A vida é também parar
escutar o som do vento
ver a espuma do mar.

Ter a mão nos cabelos de qualquer amor.

Fazer festas a uma criança
abrir a boca e dizer: Ah!,
são os foguetes que vão no ar.

A vida é tudo e nada.

E a alma da gente é como um lago
com cisnes e nenúfares,
e é também cantar para ti
esta canção de embalar.

Não te percas,
não sejas sério demais
não te deixes apanhar.

Anda, vem comigo,
vamos ver as conchas do mar...»

Bom fim de semana,

David

2005-05-24

Fracasso

Quanto supus ser vitória é fumo apenas.

Fracasso, linguagem do fundo, pista de outro espaço mais exigente, difícil de entreler é tua letra.

Quando punhas tua marca em minha fronte, nunca pensei na
mensagem que trazias, mais preciosa que todos os triunfos.
Teu rosto chamejante perseguiu-me e eu não soube que era para salvar-me
Para meu bem desterraste-me para lugares recônditos, negaste-me
êxitos fáceis, cortaste-me saídas.
Era a mim que querias defender ao não me conceder brilho.
De puro amor por mim manejaste o vazio que tantas noites me fez
falar febril a uma ausente.
Para proteger-me deixaste passar outros, fizeste que uma mulher prefira alguém mais ousado, afastaste-me de ofícios suicidas.

Vieste sempre dar a cara.

Sim, teu corpo chagado, cuspido, odioso, recebeu-me na minha
mais pura forma para me entregar à nitidez do deserto.
Por loucura amaldiçoei-te, maltratei-te, blasfemei contra ti.

Tu não existes.
Foste inventando pela soberba delirante.

Quanto te devo!
Levantaste-me a um novo nível limpando-me com uma áspera
esponja, lançando-me para o meu verdadeiro campo de bata-lha,
cedendo-me as armas que o triunfo abandona.

Levaste-me pela mão à única água que me reflecte.
Por ti não conheço a angústia de representar um papel, manter-me
à força num alto, trepar com esforços próprios, discutir
por causa de hierarquias, inchar até rebentar.
Fizeste-me humilde, silencioso e rebelde.
Não te canto pelo que és, mas pelo que não me deixaste ser. Por
não me dares outra vida. Por me teres diminuído.

Ofereceste-me somente nudez.
É verdade que me ensinaste com dureza e tu mesmo trazias o cautério!,
mas também me deste a alegria de não te recear.
Obrigado por me tirares espessura em troca de uma letra grande.

Obrigado a ti, que me privaste de vaidades.
Obrigado pela riqueza a que me obrigaste.
Obrigado por me construir com meu barro a minha morada.
Obrigado por me afastares.
Obrigado.

(Rafael Cadenas)

2005-05-12

A Mão no Arado

Feliz aquele que administra sabiamente
a tristeza e aprende a reparti-la pelos dias
Podem passar os meses e os anos nunca lhe faltará
entretecer nas mãos um coração tardio
Oh! como é triste arriscar em humanos regressos
o equilíbrio azul das extremas manhãs de verão
ao longo do mar transbordante de nós
no demorado adeus da nossa condição
É triste no jardim a solidão do sol
vê-lo desde o rumor e as casas da cidade
até uma vaga promessa de rio
e a pequenina vida que se concede às unhas
Mais triste é termos de nascer e morrer
e haver árvores ao fim da rua

É triste ir pela vida como quem
regressa e entrar humildemente por engano pela morte
É triste no Outono concluir
que era o verão a única estação
Passou o solidário vento e não o conhecemos
e não soubemos ir até ao fundo da verdura
como rios que sabem onde encontrar o mar
e com que pontes com que ruas com que gente com que
montes conviver
através de palavras de uma água para sempre dita
Mas o mais triste é recordar os gestos do amanhã

Triste é comprar castanhas depois da tourada
entre o fumo e o domingo na tarde de Novembro
e ter como futuro o asfalto e muita gente
a atrás a vida sem nenhuma infância
revendo tudo isto algum tempo depois
A tarde morre pelos dias fora
É muito triste andar por entre Deus ausente
Mas, ó poeta, administra a tristeza sabiamente
(Ruy Belo)

2005-05-08

Ascensão e Missão

Trinta e três anos após a sua descida à terra, Jesus sob aos céus e entra de novo em casa. O anjo Gabriel ao vê-lO passar surpreende-se por tão inesperada chegada. Trinta e três anos não era o tempo suficiente para Jesus cumprir com a importante tarefa de lançar os fundamentos do Reino de Deus.
«Já de volta?» disse o anjo a Jesus.
«Bem... Eu gostaria de ter ficado por mais uns tempos, mas eles condenaram-me à morte e crucificaram-me», respondeu-lhe Jesus.
«Oh! Crucificaram-te?!», disse o anjo, «então isso significa que fracassastes...»
«Não necessariamente», acrescentou Jesus. «Sabes, Eu chamei e congreguei um pequeno grupo de discípulos. Eles irão agora prosseguir a minha missão».
«E se eles falharem?» perguntou o anjo.
«Eu não pensei nisso... não tenho outros planos. Eu confio neles...»

Já pensastes nessa missão que como discípulo estás chamado a realizar?

(David)

2005-04-28

A IGREJA É A MINHA CASA

A propósito da eleição do Papa Bento XVI e de algumas reacções menos «católicas» mesmo no seio da Igreja, lembrei-me do que há uns anos atrás escrevia o bispo de Setúbal, D. Manuel Martins. O Texto é, certamente, conhecido, mas deixo-o neste espaço... (David)

Sim, é a minha casa,
Esta Igreja onde eu nasci e quero morrer...
Nela me sinto bem. Nela gosto de estar!
Aqui, eu penso, projecto, sonho, alimento-me...
Aqui, rezo, recordo, choro, zango-me, encontro-me...
Aqui sofro... aqui canto...
A Igreja é a minha casa
Gostaria, tantas vezes, de a ver
Mais acolhedora...
Mais aberta...
Com mais espaços para pessoas outras
(não é ela comunhão e sacramento?),
Mais gratuita...
Mais convidativa...

A Igreja é a minha casa
E tenho pena que, às vezes,
Feche portas,
Condene sem coração,
Corte com quem procura...
Eu amo muito a Igreja... porque
A Igreja é a minha casa...
Com defeitos?
Com a ruga dos anos?
Às vezes azeda?...
Então, porque lhe quero muito,
Vou pintá-la de fresco,
Vou rasgar-lhe mais portas,
Vou torná-la mais simpática,
Mais disponível,
Mais atenta...
Vou fazer com que cante mais a beleza da vida,
Perca o medo e salte para o mundo,
Grite os valores e os direitos das pessoas e dos povos...

A Igreja é a minha casa
Se eu quiser...
Se tu quiseres....
Se nós todos quisermos...
Todos virão a ela
E todos nela se sentirão bem...
Porque ela é o rosto de Deus,
Porque Deus habita nela...
D. Manuel Martins

2005-04-03

João Paulo II

Quem tem menos de 30 anos, não conheceu na vida outro Papa ao não ser João Paulo II. A Igreja em tempo de grande festa, a Páscoa, veste-se de luto para o último adeus àquele que foi um líder espiritual próximo de todos, àquele que fez da sua vida um exemplo e um defensor de toda a vida.

Ao Deus que «nos fez renascer para uma esperança viva» (1 Pd 1,3), pedimos a graça de conservar o seu exemplo. Que o Espírito Santo ilumine a Igreja nesta fase de transição; que o novo Papa seja um homem capaz de ler o sinais dos tempos e de ser o principal protagonista, como foi João Paulo II, na construção do Reino de Deus neste mundo

David

2005-03-26

Festa

Era...
Era eu!...
Débil e ténue
De mãos recostadas
No conforto inconsolável
Dos perfumes mudos de dor...

Eras...
Eras Tu!...
Que descias nas cascatas
Das minhas lágrimas
Que galgavam como lanças
Em dias de combate...

Era...
Era eu!...
Fortaleza em ruínas
Sentinela do vazio
Gemido balbuciante que fervilha
“ Levaram o meu Senhor...”

Eras...
Eras Tu!...
Na neblina da minha procura
No milagre do amor
No coração festivo
Que a vida celebrou... “Mestre”.

Era... Era o silêncio efémero do sepulcro
Num hino retumbante de Vitória.

Joao Luís Silva CM

Homilia de Sexta -Feira Santa

Meus queridos irmãos e irmãs
Estamos aqui reunidos, unicamente porque o amor de Deus nos une e reúne, neste mistério que hoje celebramos que é a paixão e a morte do Senhor Jesus. Por isso mesmo só o silêncio orante de quem reza faz sentido.
É perante a cruz do Filho de Deus que descobrimos, quem somos, donde vimos e para onde vamos, a cruz de Cristo diz-nos quanto valemos aos olhos de Deus, e sabemos que valemos tudo.
A leitura do Livro do profeta Isaías que escutamos, fala-nos desse: “rosto desfigurado que tinha perdido a aparência humana, acostumado ao sofrimento”. Fala-nos desse vazio, que é a vida entregue, dentro da qual Deus constrói um mundo novo, vazio de egoísmo e poder para que o amor de Deus possa vir em cheio.
Só assim percebemos, que a cruz de Cristo é para nós sinal da presença amorosa de Deus, é a chave que desvenda e ilumina os mistérios da vida, da nossa vida e do nosso dia-a-dia.
Todos nós já fizemos a experiência do Jardim das Oliveiras, do abandono da solidão. Quantas vezes nos sentimos rejeitados, maltratados e sós.
Quantas vezes clamamos: Porquê Senhor, porquê tenho de sofrer?
Porque amamos e porque Deus nos ama.
“Amar é sofrer e sofrer é Amar”.
Esta a experiência de quem caminha com Jesus e para Jesus, porque Ele próprio deu a vida por nós.
E vós pais e mães de família, bem sabeis como isso é.
Quantas vezes vos rejeitastes para vos dardes aos vossos filhos.
E vós filhos quantas vezes o fizestes pelos a vossos pais já idosos e doentes.
Foi para sofrer?
Não!
Foi por amor, foi para não ver sofrer.
Esta é a mensagem da cruz do Senhor, nela fazemos a experiência de amar e dar a vida, é ai que experimentamos que o: “Seu jugo é suave e a Sua carga é leve”, porque Ele próprio a suporta connosco.
É esta capacidade de ir mais longe de ir até ao fim, como cantávamos no Salmo 22: “Meu Deus meu Deus porque me abandonaste”. Não é sentir-se abandonado por Deus, mas é fazer a experiência de todos os abandonados, que Cristo em Si transformou em Paz e em sinal de vitória.
Meus queridos irmãos e irmãs, pelo Evangelho sabemos que junto de Jesus no Monte Calvário estavam mais dois crucificados (o bom e o mau ladrão). Esses crucificados representam a humanidade inteira, somos nós nesta capacidade de dar a vida ou de a reter.
Percebemos também que ontem como hoje, Jesus nos quer no cimo da montanha e ao Seu lado para nos dar um Reino que é Ele próprio, percebemos ainda que em cada crucificado do mundo está Jesus.
Nesta Sexta-feira Santa meus irmãos o caminho de Jesus é o caminho que se oculta na esperança, e que nos torna peregrinos, é o caminho de Maria, que do caminho do Calvário, fez caminho para o coração de seu filho e para cada um de nós, como Mãe da humanidade.
Este é o nosso caminho, caminho de comunhão e salvação, de evangelização de vida.
Meus queridos amigos mergulhados neste mistério que é a cruz do Senhor só nos resta contemplar e exclamar: “Faz-nos morrer Senhor para que possamos nascer de novo para a vida nova que és Tu.
Celebramos hoje a morte do Senhor Jesus, certamente sentimo-nos comovidos não tanto porque o Filho de Deus morreu, mas sim porque foi por nós e para nós e porque o seu: “Amor permanece para sempre”.



João Luís Silva CM
Igreja de S. Tomás de Aquino – Lisboa

2005-03-24

«Eu dei-vos o exemplo...»

Já amaste?

Porque Deus é amor, quando verdadeiramente amamos participamos no «SER» de Deus e, por isso, estamos dispostos a fazer tudo para promover a pessoa amada.

Já amaste? Se sim, certamente terás experimentado essa força que te leva a fazer coisas loucas, incompreensíveis e inaceitáveis para as pessoas de “bom-senso”.

O Evangelho de hoje, Quinta-feira Santa, descreve-nos a atitude desconcertante de Jesus e a hostil reacção de Pedro. O discípulo compreende que Jesus inverte a lógica estabelecida ao assumir o papel de servo, lavando os pés dos apóstolos. Pedro, como todas as pessoas de «bom-senso», protesta porque não aceita a «lógica do amor». Por palavras e actos Jesus diz-nos que quem ama vai mais longe, supera regras, ultrapassa limites, surpreende a cada momento e tudo é gratuitidade (é o que fazem a maioria das mães por causa de seus filhos...). Ser discípulo de Jesus é fazer do amor regra de vida. O importante é amar. Quanto se ama tudo está bem, como dizia S. Agostinho: «Ama e faz o que quiseres...»

AMAS?

David

2005-03-13

«Lázaro, vem para fora».

Quantas vezes seria necessário libertar o Lázaro que mora em nós?

Todos nós guardamos nos arquivos da nossa memória experiências traumatizantes: mal-entendidos, apreciações injustas, sinais de desprezo por parte de outros, etc... Porque esses traumas nos fazem sofrer, evitamos a convivência com as pessoas que estão associadas a esses momentos. Com o decorrer dos anos, vai aumentado a lista daqueles com os quais nada queremos. Às vezes expressamos esse mal-estar quando dizemos que “aquela pessoa, para mim, já morreu!”

Desta forma, o nosso coração assemelha-se a um cemitério onde todos os dias/semanas, são sepultados novos irmãos. A nossa postura perante o outro, o nosso comportamento, denuncia, tantas vezes inconscientemente, a morte que caminha connosco, os Lázaros “malcheirosos” que nos tornam homens e mulheres amargos/as, ressentidos/as e intolerantes.

No Evangelho de hoje, Jesus diz: «Lázaro, vem para fora». Aquilo que parece impossível torna-se realidade: Lázaro vive de novo. Nestes dias de preparação para a grande festa dos cristãos, a Páscoa, oxalá seja também um tempo de libertação/ressurreição dos Lázaros que permanecem enterrados dentro de nós.

David

2005-03-09

Um Amor à cruz...

Eu me abandono, ó Deus, nas tuas mãos
Modela este barro, como faz o oleiro.
Dá-lhe forma, e depois, se quiseres,
esmigalha-a como foi esmigalhada a vida de João, meu irmão.
Ordena o que queres que eu faça
e o que queres que não faça.
Elogiado e humilhado, perseguido,
incompreendido e caluniado,
consolado, magoado, inútil para tudo,
só me resta dizer, a exemplo de Tua Mãe:
“Faça-se em mim segundo a Tua palavra”.

Dá-me o amor por excelência,
o amor à Cruz.
Não às cruzes heróicas,
que poderiam despertar em mim o amor próprio, a vã glória;
mas o amor às cruzes de cada dia
que se encontram na contradição,
no esquecimento, no fracasso, nos juízos errados e na indiferença,
na rejeição e no menosprezo dos outros,
no mal-estar e na doença,
nas limitações intelectuais,
e na secura, no silêncio do coração.

Só então Tu saberás que Te amo.
E isso me basta.

(Robert Kennedy)

2005-03-07

Construir...

«O Homem só se apercebe, no mundo, daquilo que em si já se encontra; mas precisa do mundo para se aperceber do que se encontra em si; para isso são, porém, necessários actividade e sofrimento».

(Hugo Von HOFMANNSTHAL)

2005-03-01

Oração

Silêncio!
A Tua “hora”
Na hora…
E no mistério orante
Do dealbar eterno
E fulgurante
Do meu lar:
“Filho, eis a Tua Mãe”.

João Luís Silva

2005-02-22

MEDO?

Uns dias antes das eleições legislativas, encontrei algumas pessoas muito ligadas à Igreja que temiam a vitória dos partidos de esquerda, sobretudo se o principal partido, o PS, se aliasse à esquerda radical. Homens e mulheres, inclusive consagrado/as, temiam as reformas laicizantes, as perseguições de um governo liderado por gente sem fé.

A vitoria do PS veio dar mais força à essa onda de temor. Contudo, parece-me que essa não é, nem deve ser, a nossa atitude. Em primeiro lugar porque o medo é paralizante, faz-nos viver na defensiva, como infelizes que esperam a má sorte dos outros. Essa é uma atitude pouco evangélica. Por outro lado, que há a temer? Que nos tirem as casas?, que se apoderem das nossas instituições?, que nos insultem na praça pública? Mas nada disso seria uma novidade, só que esquecemos que seguir Jesus significa desprender-se de tudo, inclusive daquilo que julgamos vital, e predispor-se para subir ao calvário onde seremos, como Jesus, crucificados.

Mais do que temer, é de pedir a Deus que esse tempo chegue de novo e de preferência o mais depressa possível, antes que este estado «morno» de gente satisfeita e contente tudo queime até as raízes mais profundas do cristianismo na nossa sociedade. Que venham essas revoluções que e nos obriguem a tomar as decisões que por conveniência não fomos capazes de tomar. Que apareçam esses “revolucionários” que nos reduzam a menos da metade e deixem apenas «um pequeno resto» de seguidores sem medo. Seria, provavelmente, um novo começo... a Igreja seria mais humilde, menos institucional, mas mais carismática. E isso seria bom...


David

2005-02-09

Hino de inicio da Quaresma

Benigno Criador, ouvi clemente
As nossas orações e o nosso pranto;
Neste sagrado tempo da Quaresma,
Compadecido olhai-nos, ó Deus Santo.

Justíssimo juiz das nossas almas,
Vós conheceis a enfermidade humana:
Voltando para vós arrependidos,
Pedimos a vossa graça soberana.

Confessamos que somos pecadores,
Mas, em vez de castigo, perdoai-nos.
Por vosso nome santo e vossa glória,
Da nossa vil miséria libertai-nos.

Aceitai o jejum e a penitência
Que em nossa própria carne suportamos;
Por eles, as nossas almas se libertem
Dos erros e misérias que choramos.

Estas nossas humildes oferendas
Aceitai, ó Santíssima Trindade,
E levai-nos, no amor purificados,
Ao esplendor da vossa eternidade.
(Rufino Grández)

2005-02-02

A Odisseia das frequências

São dias de retiro... vive-se fechados em casa, lendo textos que já foram lidos, memorizando ideias chaves, roendo unhas e tentando prever o que há-de sair nas frequências. No silêncio de cada quarto, para cada um de nós, há uma batalha que se trava e um novo mundo que se abre. Para manter a esperança, cada dia renovamos o compromisso de lutar até ao fim e juramos que tudo faremos para descobrir aquilo que nunca ninguém descobriu.

Os dias são contados. Alguns passeios foram adiados, as conversas abreviadas e as partidas de ténis de mesa limitadas porque é preciso estar no quarto. O tempo demora a passar. Na secretária, as matérias sucedem-se como os santos numa procissão. E lá virá o dia da sentença: «mais um 16? O prof. foi generoso!».

É a odisseia das frequências. Um tempo agridoce que lenta e discretamente nos transforma em Homens mais maduros. E, confesso, acho que é um tempo com piada, pois a vida de estudante sem frequências seria de um tédio insuportável, uma aventura previsível e um desafio sem obstáculos.
David

Contemplação...

Vinha de noite
E trazia a noite
A crepitar notícias de espanto
Nesta alegria de Te reconhecer
No transbordar da vida
No umbral da contemplação
Na centelha luminosa
Que em mim ecoou:
“Tens de nascer de novo
Num tempo que não volta atrás”


João Luis Silva

2005-01-29

O Alpinista



«Contam que um alpinista, desesperado por conquistar uma altíssima montanha, iniciou a sua escalada depois de anos de preparação. Como queria a glória só para ele, resolveu subir sem companheiros.
Durante a subida, a noite caiu, mas ele não estava preparado para acampar, por isso, decidiu continuar a subir... até escurecer. A noite era muito densa naquele ponto da montanha, e não se podia ver absolutamente nada. Tudo era negro, a lua e as estrelas estavam encobertas pelas nuvens. Ao subir por um caminho estreito, a apenas poucos metros do topo, escorregou e precipitou-se pelos ares, caindo a uma velocidade vertiginosa. O Alpinista via apenas velozes manchas escuras passando por ele e sentia a terrível sensação de estar sendo sugado pela gravidade.

Continuava a cair... e nos seus angustiantes momentos, passaram pela sua mente alguns episódios felizes e outros tristes de sua vida. Pensava na proximidade da morte, sem solução...

De repente, sentiu um fortíssimo solavanco, causado pelo esticar da corda na qual estava amarrado e presa estacas cravadas na montanha. Nesse momento de silêncio e solidão, suspenso no ar, não havia nada que pudesse fazer e gritou com todas as suas forças:

MEU DEUS, AJUDA-ME !!!
De repente, uma voz grave e profunda vinda dos céus respondeu-lhe:
QUE QUERES QUE EU TE FAÇA?
Salva-me meu DEUS !!!
REALMENTE CRÊS QUE EU TE POSSO SALVAR?
Com toda certeza Senhor !!!
ENTÃO CORTA A CORDA NA QUAL ESTÁS AMARRADO...
Houve um momento de silêncio; então o homem agarrou-se ainda mais fortemente à corda...

Conta a equipe de resgate, que no outro dia encontraram o alpinista morto, congelado pelo frio, com as mãos agarradas à corda... APENAS A DOIS METROS DO CHÃO...

E tu, cortarias a corda?»


2005-01-22

Compreender a vontade de Deus...

«Quando uma pessoa morre há muita coisa que se pode dizer sobre ela mas também há algo que nunca se deve dizer...

Na noite em que o meu filho Alex morreu, uma senhora veio-nos mostrar a sua simpatia trazendo com ela 18 quiches e dizendo com tristeza "Nunca conseguirei compreender a vontade de Deus."
Eu explodi. " Ó minha senhora! Tenho a certeza que nunca irá compreender. Então a senhora pensa que foi a vontade de Deus que fez com que o meu Alex nunca tivesse substituído a porcaria do pára-brisas, ou que fez com que ele viesse em grande velocidade durante a tempestade, ou que fez com que ele bebesse umas cervejas a mais? Ou pensa então que é a vontade de Deus que não haja luzes na estrada ou que não exista protecção na curva entre a estrada e a baía de Boston?"

Não há nada que me exaspere mais do que a incapacidade de pessoas, aparentemente inteligentes, em compreenderem que Deus não anda neste mundo com o dedo no gatilho, de navalha aberta no seu punho, ou com as suas mãos nos volantes. As mortes precoces, lentas, cheias de dor, levantam questões às quais não encontramos respostas... Nunca teremos conhecimentos suficientes para podermos afirmar que tal morte foi da vontade de Deus...

A minha única consolação resta em que acredito que não foi da vontade do Pai a morte do meu Alex; que quando as ondas do mar cobriram o automóvel, o coração de Deus foi, antes dos nossos, o primeiro coração a despedaçar-se.»

Rev. William Sloan Coffin no dia do funeral de seu filho, Alex de 24 anos de idade.

2005-01-15

Imprevistos


Era um final de dia como tantos outros não fosse obrigado a mudar de trajecto no regresso a casa para visitar um amigo que estava no hospital. Já fazia muito tempo que não entrava num desses edifícios, tão úteis à sociedade, mas que evito sempre que posso.

Naquela tarde, meio apressado, vi-me forçado a inalar aquele cheiro tão característico dos hospitais à procura, entre salas e camas, do JP. Encontrei-o deitado, rodeado de máquinas, com um “ar de transe” e com uma cor de pele que não parecia ser a sua. Trocámos um olhar, um sorriso amarelo, poucas palavras e senti em mim crescer um sentimento de impotência, de algum desespero e até de revolta. O JP é ainda jovem mas, por razões que nem a ciência sabe, despede-se da vida.

No regresso a casa, nessa tarde, a imagem do JP parecia caminhar à minha frente. Talvez por isso, resolvi andar pé, em vez de apanhar o metro. Caminhava por uma rua que desconhecia totalmente, mas avançava em direcção a um pôr-de-sol que, em Lisboa, nunca tinha visto igual. E foi nesses instantes, como que hipnotizado pelo sol, nesse caminho de regresso a casa, que compreendi a inutilidade de uma vida rotineira e sem paixão... Não fosse aquela visita e a contemplação da forma como o sol se despedia, esse dia teria sido igual aos outros tantos dias do ano.

E desejei ser livre para dar mais tempo aos imprevistos que a vida me oferece. Arrependi-me de usar relógio, essa máquina opressora que me escraviza, e prometi a mim mesmo que, nessa noite, havia de queimar a agenda.
David

2005-01-05

Andante

Na vertigem do tempo
Amarrado à secura da sorte,
Como cárcere deserdado
Trazia na sede
A profana réstia
De ser coágulo andante.
Lentamente,
Aninhei-me na cisterna,
Do deserto dessa tarde,
Bamboleando a vida
Que se fez “Notícia Nova”,
Na profecia submersa
Do Teu: “Dá-me de beber”.

João Luis Silva

2004-12-23

Coro de S. Tomás de Aquino nas ruas da cidade

Tem sido umas de iniciativas com sucesso levada a cabo por membros da paróquia de S. Tomás de Aquino em pareceria com as comunidades religiosas existentes na área: Vicentinos, S. João de Deus, Missionários do Verbo Divino e Baptistas. A iniciativa está integrada nas mil e uma acção em vista a preparação do congresso sobre a Nova Evangelização.
Cerca de 30 paroquianos, dirigidos pelo Pe. Américo dos Missionários do Verbo Divino, entoam canções de Natal de cariz popular, como “É Natal, é Natal” e “Noite Feliz”. A iniciativa principiou com um recital junto à loja do cidadão (Estrada da Luz) e prolonga-se para depois do Natal em vários locais da Paróquia.
Esta oferta aos cidadãos por parte da Paróquia de S. Tomás de Aquino foi uma das fórmulas encontradas para celebrar o Natal de uma forma solidária.
A todos aqueles que têm participado, o nosso obrigado.

David

2004-12-21

Litania para o Natal

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num sótão num porão numa cave inundada
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
dentro de um foguetão reduzido a sucata
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
numa casa de Hanói ontem bombardeada

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
num presépio de lama e de sangue e de cisco
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para ter amanhã a suspeita que existe
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
tem no ano dois mil a idade de Cristo

Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
vê-lo-emos depois de chicote no templo
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
e anda já um terror no látego do vento
Vai nascer esta noite à meia-noite em ponto
para nos pedir contas do nosso tempo

(David Mourão-Ferreira)

2004-12-11

Os números da morte (1ª parte)

É assustador e triste o relatório da UNICEF publicado nestes dias sobre O Estado Mundial das Crianças – 2005. Diz-nos o relatório que a «a infância está ameaçada», que a maioria das crianças do mundo são vitimas da pobreza, da guerra e da SIDA. Os números falam por si: uma em cada duas crianças não vive como merece. Alguns números:

Mortalidade: Em 2003, quase 11 milhões de crianças morreram no mundo antes de completarem cinco anos.
Pobreza: Quase dois mil milhões de crianças vivem em países em desenvolvimento. Do total de menores que morrem no mundo antes de atingir os cinco anos, 42 por cento vivem na região da África subsariana.
Órfãos: O número de órfãos devido à doença (particularmente a SIDA) não pára de aumentar. No relatório «Progressos para as crianças», a UNICEF alerta para o crescimento do número (15 milhões) de menores que são institucionalizados por perderem os pais.
Guerras: Desde 1990 morreram 3,6 milhões de pessoas em situações de guerra, metade destas eram crianças. Para este cenário contribuiu o início da guerra do Iraque. No início da década, 50 em cada mil menores perderam a vida neste conflito. Na República Democrática do Congo, nos últimos cinco anos, 20 mil rapazes e raparigas foram transformados em soldados.
Tráfico: 1,2 milhões de crianças são vítimas de tráfico todos os anos. São retiradas das famílias e submetidas a uma situação de escravatura. A prostituição infantil não pára de aumentar. Dois milhões, a maioria raparigas, são sexualmente exploradas. Na Indonésia, são traficadas cem mil crianças e mulheres todos os anos.
Escolaridade: Segundo o relatório sobre a Situação Mundial da Infância divulgado em 2003 pela UNICEF, existem 121 milhões de menores que não têm ainda acesso ao ensino. A esmagadora maioria vive ao sul do Sara. No ano lectivo de 2003/2004, foram fechadas 580 escolas na Palestina (Para mais detalhes, ver http://www.unicef.org/)

Como homem, como cristão, como vicentino não posso não sentir uma forte dose de incómodo e até alguns remorsos por esta situação. Sinto que é urgente fazer alguma coisa. Lembro-me daquela frase tantas vezes repetida de S. Vicente de Paulo: «amemos a Deus, amemos a Deus, mas que seja com o suor do nosso rosto e a força dos nossos braços».
Sinto que é preciso ir mais longe: que as nossas orações nos empurrem para o pé daqueles que sofrem; que sejamos, pelo menos, fomentadores na nossa sociedade de grupos de pressão que obriguem os governantes a dar mais atenção àqueles que são os mais desfavorecidos; que cada um de nós seja um João Baptista, um denunciador das «hipocrisias» da nossa sociedade; que neste advento, neste Natal não deixemos que a Boa Nova fique “entalada” nas paredes das nossas igrejas; que o Verbo se faça carne em nós, o Verbo que também assumiu ser pobre, que nos abra os olhos, inspire as nossas palavras para, sem temor, colaborarmos na construção do Reino de Deus, a sociedade que Deus quer...

David

2004-12-06

Encontro...

No definhar dos dias
A vida toldava-se
No exílio das minhas buscas.
Cada vulto emaranhava-se
Num trépido e rude contentamento
Como ciclone langoroso.
Ao longe... mas dentro
Ouvi a mensagem.
Desabotoei-me do labirinto
Como quem queima horas
E parti...
Só queria ver-Te!
Subi e contemplei...
Eras tudo!...
Neste jubilo inextinguivel
Duma pequenês faminta
Banhada de incertezas.
E fiquei
No patibulo das mudanças
Como candeia dormideira
À espera
Que as palpebras se fechassem...
Mas o sono dissipou-se
No braseiro desse convite
Incondicionável de AMOR:
"Amigo, desce depressa,
preciso de ficar em tua casa."

João Luís Silva

2004-12-04

Martinho o sapateiro

João Batista era um homem muito prático. Também o cristianismo é uma religião muito social e prática. Não diz respeito só à ligação entre mim e Deus mas à ligação entre Deus, eu e os outros.

Há uma história muito antiga acerca de um sapateiro de nome Martinho que vivia e trabalhava na cela de um velho edifício. A sua única janela, baixa que era, ainda lhe deixava ver os pés das pessoas que passavam pela rua. Martinho vivia abaixo do nível do solo. Mas, como em geral, quase todos os sapatos ou botas lhe passavam pelas mãos, ele era capaz de identificar os seus possuidores.

A vida tinha sido dura para o nosso sapateiro. Sua mulher tinha morrido deixando-o com um filho ainda pequeno. Depois, quando o menino parecia ter chegado à idade de ajudar o pai, adoeceu e morreu. Martinho ficou devastado. Ao enterrar o seu filho abandonou-se ao desespero, ao mesmo tempo que deixava a sua religião e mergulhava no álcool.

Um dia, um velho amigo veio visitá-lo. Martinho abriu-se e contou a sua triste história. Seu amigo aconselhou-o a que lesse um bocadinho dos evangelhos todos os dias, prometendo-lhe que se o fizesse a luz e a esperança voltariam de novo à sua vida.

Martinho aceitou o conselho e no fim de cada dia tirava o livro dos evangelhos da prateleira e lia um bocadinho. Ao princípio fez ideia de ler somente aos domingos mas, encontrando tanta ajuda neles, começou a lê-los todos os dias. A pouco e pouco as suas perspectivas começaram a mudar. A esperança voltou novamente aos seus olhos e ao seu coração.

Certa noite, enquanto lia, pareceu-lhe que alguém o tinha chamado: “Martinho, Martinho, olha amanhã para a rua, pois eu virei visitar-te.” Olhou para todos os lados e como não visse ninguém no seu pobre tugúrio pensou que tinha sido o Senhor que lhe tinha dirigido estas palavras.

Na manhã seguinte, ao sentar-se no seu banco para trabalhar, sentiu uma excitação enorme dentro dele. Enquanto trabalhou manteve sempre um rápido olhar na janela. Perscrutou bem todo o par de sapatos e botas que por ela passaram, procurando algum que não conhecesse ou que lhe parecesse fora do normal. Bem procurou algo de especial mas só por lá passaram os que normalmente o faziam todos os dias.

À tarde reparou num par de botas que se tinham encostado à sua janela. Eram dum velho soldado seu conhecido chamado Estêvão. Levantou-se para melhor descortinar e viu o velho a esfregar as mãos tremendo, pois fazia um frio medonho naquele dia. Martinho bem pediu a todos os seus santos que tirassem o velhote da frente da janela. Tinha medo que chegasse o prometido e ele não fosse capaz de o ver. Mas depois lembrou-se da pobreza extrema de Estêvão e de que se calhar estava assim pois nada tinha comido todo o dia. Bateu nos vidros da janela e fez sinal para que viesse abaixo até ao seu quarto. O velho soldado agradeceu-lhe encarecidamente e perante o chá e o pão que Martinho lhe serviu confessou que em dois dias nada tinha comido. Quando o velhote partiu o nosso sapateiro deu-lhe o seu segundo casaco. Como ainda tinha dois e o velhote nenhum, e o frio era enorme, resolveu que faria melhor nos ossos daquele pobre do que pendurado atrás da porta. No entanto, durante todo o tempo em que entreteve o soldado, Martinho não parou de olhar para a janela tentando identificar os sapatos e os seus donos.

Anoiteceu e Martinho parou de trabalhar e, cheio de tristeza, resolveu fechar os taipais da sua janela. Depois de comer algo , tirou da prateleira o livro dos evangelhos e, como era hábito seu, começou a lêr os evangelhos. Deparou com a seguinte passagem: ‘Vieram a João e perguntaram-lhe “Que havemos de fazer?” E ele respondeu “Quem tem dois mantos que dê um a quem não tem e quem tem que comer que faça o mesmo.”’
Martinho começou a reflectir sobre esta passagem. Compreendeu então que afinal o Senhor tinha vindo até ele na pessoa do velho Estêvão, e que ele, pobre como era, ainda tinha arranjado tempo e conforto para o acolher. O seu coração inundou-se de uma alegria como nunca tinha sentido.

Martinho já tinha recebido na sua vida Cristo pela leitura atenta que fazia dos evangelhos. Assim a segunda etapa chegou-lhe de maneira natural: a de fazer lugar na sua vida para o irmão necessitado.
O Advento urge que preparemos os caminhos do Senhor. Não há melhor preparação do que abrir os nossos corações e o nosso espírito a quem necessita de nós. A melhor maneira de encontrarmos a bondade, a paz e a felicidade é a de nos esquecermos de nós próprios e de termos o outro, o irmão, sempre no nosso pensamento e nas nossas vidas.
Adapatdo de MACcARTHY, F., in New Sunday.

2004-11-30

Advento e Moçambique

De Moçambique para todos os homens e mulheres de boa-vontade:

«Iniciamos um tempo de esperança: o Advento. Tempo de preparação para O que há-de vir e pelo o que há-de vir: as coisas boas para a nossa libertação pessoal e social.
Este ano a expressão “Vem Senhor !!!” tem uma força indescritível, quando a expressamos sentimo-la e desejamo-la.

“Vem Senhor, não tardes!!”, que para o povo de Makua é o mesmo que dizer: Vem Senhor da chuva, não tardes, estamos sedentos, não temos vida!

E é assim... a seca e a má programação de um governo corrupto fazem desta situação um desespero. As mulheres e as crianças passam todo o dia fora das suas casas à procura de “água”. Qualquer líquido, ainda que contaminado, é água.

Quero pedir a tua voz e a tua oração, quero pedir-te que peças connosco a Água... a dupla água, pois Ele disse de si mesmo que era (e é) Água, Água que dá Vida Eterna.

Esperança, silêncio e crescimento neste Advento...»

Sérgio

2004-11-23

Sal da terra

Ouvi, meditei e aceitei…
“Já não somos mais luz do mundo, mas sim sal da terra. Esse sal que está mais escondido, que não se vê, mas que actua e dá sabor a muitas realidades.”
A força visível da Igreja está a diminuir, isto é, as “massas mobilizadas e mobilizadoras” são em menor escala e já não iluminam com a claridade que o faziam. Não discuto porquê, quais as consequências… a realidade é aquela que vivemos e é essa que temos que aceitar… Por isso, o papel que nos é pedido, mais que nunca, é o de ser sal que não se vê, mas que se sente em quem actua; ser a água que corre por baixo da erva verdejante: não se vê, mas sem ela a erva jamais sobreviveria…
O nosso “papel”, como Igreja, está a mudar e temos que responder à sociedade em que vivemos. E esta, mais que grandes movimentações (que são impossíveis para nós realizarmos) quer sentir esse trabalho silencioso, mas efectivo e afectivo que, pouco a pouco, vai dando sabor à vida, cada vez mais cega de valores, de justiça e de verdade.

Jerónimo

2004-11-11

E qualquer dia...

Eram por volta das 11.30 de uma manhã fria, cinzenta e chuvosa, quando os coveiros ergueram mais uma vez as sacholas para cobrirem de terra outro caixão anónimo. Não fosse a chuva que dificultava o serviço, nada havia de especial. De faces tão frias como essas manhãs, os homens arregaçaram as mangas e cuspiram nas mãos e, num instante, puxaram a terra lamacenta de um lado para outro até desaparecer o caixão. Nuns minutos tudo estava resolvido: a srª Y já estava despachada.
Despachada anonimamente, pois nessa triste cena não havia os habituais acompanhantes que enxugam lágrimas e recebem condolências. A srª X era mais uma das tantas pessoas que vivem e morrem quase sozinhas.

Nestas manhãs frias e húmidas, é difícil ser indiferente ao crescente número de homens e mulheres que fazem da rua as suas casas. Imagino como dever ser viver sem lar e sem quase ninguém, escravizado por um «senhor vício», sem as coisas que fazem parte do nosso quotidiano banal: uma cama para dormir, um duche pela manhã, refeições à mesa, um programa de TV, um abraço de alguém que nos ama, etc. Nesta época do ano, vê-los nas ruas é ainda mais cruel. São os maus da fita para o mundo e para eles mesmo, já que nem eles querem representar o papel que representam.
E qualquer dia celebraremos o Natal, o nascimento do Deus pobre. As ruas ficarão iluminadas e, no nosso passo apressado, continuaremos a fazer a nossa vida, indiferentes aos tantos Cristos que padecem de fome e frio.

David

2004-11-01

Santos

Que imagem temos dos santos?
Não tem muito tempo que, com um grupo de amigos, visitei um museu no qual estavam expostas algumas imagens antigas e valiosas de santos e santas. Talhadas e pintadas segundo a moda da época, as imagens apresentavam, salvo raras excepções, uma expressão triste que até dava pena olhar para elas. «Ainda bem que estão num museu porque na Igreja nos dias de hoje não faz muito sentido» - pensei.

Certamente que quando falamos de santidade vem-nos logo à memória estas imagens, estes modelos que vimos nas nossas Igrejas e, em muitos casos, até conhecemos as suas heróicas histórias. Contudo, teremos consciência do quanto elas nos condicionam?... será um condicionamento positivo?

É comum ouvir as pessoas a dizerem: «santo eu?, a santidade não é comigo..», como se fosse incompatível santidade com alegria. Curiosamente neste dia de todos os santos, a liturgia apresentava a leitura do texto de Mateus sobre as Bem-aventuranças. Nelas Jesus faz-nos uma proposta para uma vida feliz, mas com critérios diferentes dos do mundo. «Felizes os pobres em espírito... os puros de coração... os misericordiosos.... os pacíficos... os perseguidos...» A sua mensagem é, essencialmente, um projecto de felicidade, de vida em plenitude para todos os homens. Mas será que acreditamos mesmo nisso?

Paulo

2004-10-27

UM ANO QUE VALEU A PENA

Encontrei este título, a propósito de outro tema e de outro acontecimento, e vale a pena pegar nele. Refiro-me ao 1º aniversário da página da Internet do Lar dos Estudantes Vicentinos, da Estrada da Luz, Lisboa.
A PPCM, a Família Vicentina como tal, as comunidades ou os serviços vão-se dando a conhecer, ou dão informações, através da escrita tradicional ou por mensagens. Não existe um serviço contínuo de informação, comunicação ou reflexão a não ser nos boletins oficiais.
Confesso que não sou um convertido à comunicação via Internet, nem sou capaz de navegar, sozinho, neste espaço.
Quando surgiu a ideia e se começaram a dar os primeiros passos para a sua concretização, pensei que fosse uma iniciativa momentânea que, por causa do trabalho, da exigência e da responsabilidade, seria abandonada ou esquecida, logo de seguida. Enganei-me… e ainda bem!
Oiço muita gente a falar dela, dos seus conteúdos, notícias, desafios e propostas. São confrades, membros da Família Vicentina, familiares e amigos dos nossos e outra gente que, pelos mais diversos motivos, tem o nosso endereço e, não só acompanha o nosso dia a dia, como vai dando o seu contributo para o enriquecimento deste meio de comunicação e de comunhão.
Já estava convencido disso, mas mais convencido fiquei quando, um destes dias, visitei o Presídio Militar de Tomar e vi uma referência aos conteúdos da nossa página e um artigo sobre S. Vicente de Paulo, na 3ª página do Jornal “Um Amanhã…” daquela instituição militar.
Questionei um dos responsáveis do Conselho Pastoral da Capelania Prisional que me testemunhou, diante dos comandantes e reclusos que, todos os dias, entram nesta página virtual para inspiração, conhecimento e também, pela recolha de material, para a publicação do “seu Amanhã”.
Estava à espera de tudo, mas deste trabalho silencioso da nossa página, nem por sombras!
Gostei de visitar os reclusos e um local onde já trabalhei. Fiquei muito feliz por descobrir que um trabalho que poderia ser feito apenas para consumo interno, vai servindo de apoio, de luz, de inspiração a uma comunidade de características especiais, como esta, a do Presídio Militar de Tomar.
Valeu a pena a aposta, o esforço, a teimosia e a persistência!... Vale a pena, mesmo que seja só por causa deste episódio!...

Pe. Agostinho

2004-10-25

Teologia da Libertação

As iluminações de Natal estão quase prontas e vão ser, mais uma vez, um fascínio, sobretudo, para as crianças. Numa volta pela Baixa de Lisboa, fiquei pensativo. Afinal, só no dia 28 de Novembro é que começa o Advento... e faltam ainda dois meses para o Natal.
Entrei na Livraria dos Paulistas, para ver as novidades. Tudo cheio de CDs, de livros e de postais de Natal, até nas montras. Perguntei se não teriam uns postais de Advento. Que não. Também me interessei por música, cânticos de Advento. Muito pouco, quase nada, uns CDs com cânticos gregorianos e uma cassete com cânticos da Senhora.

Em breve, durante o tempo do Advento, como numa liturgia, nas diversas paróquias, lá virão as homilias rituais a criticar o consumismo. Mas, essas mesmas paróquias estarão, ao mesmo tempo, tempo de Advento, a organizar festas de Natal, a distribuir presentes “profanos” às crianças e idosos, a fazer “vendas de natal”...

Será que as comunidades cristãs já cederam definitivamente ao consumismo e, pior que isso, pensam que ser pobre e morrer de fome é apenas uma fatalidade? Mas, em cada pessoa que, no mundo, morre de fome é Cristo que volta a morrer (“tive fome e deste-me de comer”)...

E nós, os vicentinos?
A chamada “teologia da libertação”, bem amada do vicentino Hélder da Câmara, propõe alternativas à ordem económica selvagem que domina o nosso mundo. Sei que houve um ou outro desvio desta teologia, mas também houve muitíssimos desvios da teologia tradicional, condenados por Papas e Concílios.

Se me fosse permitido, sugeria que, por exemplo, os nossos estudantes de teologia e os nossos noviços, se interessassem mais, muito mais, pela Doutrina Social da Igreja e pela Teologia da Libertação. É que a caridade só será autêntica se unida à justiça...

Vicente

2004-10-22

«Burned out»

Os ingleses descobriram um novo sindroma que denominaram de «burned out» (queimados). Segundo os estudiosos, esta epidemia afecta principalmente aqueles/as que ocupam cargos directivos tais como gestores, directores, presidentes, visitadores (para adaptar à nossa realidade), etc.

A queimadura, segundo parece, tem uma dupla vertente: pessoal e comunitária. Pessoal porque os lesados apresentam grandes níveis de stress e um considerável desgaste psicológico; comunitária porque essas pessoas, em geral, são evitadas e marginalizadas pelos colegas de trabalho. Por estas razões, no mundo empresarial, só com um bom estimulo monetário se aceita desempenhar tais funções. E entre nós, que tipos de estímulos são oferecidos aos candidatos à queimadura?

David

BORBOLETA AZUL

Havia um viúvo que morava com as suas duas filhas, curiosas e
inteligentes.
As meninas faziam sempre muitas perguntas.
A algumas, ele sabia responder, a outras não.
Como pretendia oferecer-lhes a melhor educação, mandou-as
passar férias com um sábio que morava no alto de uma colina.
O sábio sempre respondia a todas as perguntas sem hesitar.
Impacientes com o sábio, as meninas resolveram inventar uma
pergunta a que ele não soubesse responder. Então, uma delas
apareceu com uma linda borboleta azul que usaria para pregar
uma rasteira ao sábio.
- O que vais fazer? - perguntou a irmã.
- Vou esconder a borboleta nas minhas mãos e perguntar-lhe se ela está viva ou morta.
- Se ele disser que ela está morta, vou abrir minhas mãos e
deixá-la voar. Se ele disser que esta viva, vou apertá-la e esmagá-la. E assim qualquer resposta que o sábio
nos der estará errada!
As duas meninas foram então ao encontro do sábio que estava
meditando.
- Tenho aqui uma borboleta azul. Diga-me, sábio, ela está viva ou morta
Calmamente o sábio sorriu e respondeu:
- Depende de ti...ela está nas tuas mãos.
Assim é a nossa vida, o nosso presente e o nosso futuro.
Não devemos culpar ninguém quando algo não dá certo.
Somos nós os primeiros responsáveis por aquilo que conquistamos (ou não conquistamos), mesmo que acreditemos que Deus reservou para Si uma palavra...
A nossa vida está nas nossas mãos, como a da borboleta azul...
Cabe-nos escolher o que fazer com ela.

2004-10-10

Resposta ao David

Caríssimo David
É um sinal de esperança quando gente jovem continua a ter utopias e a sonhar com uma igreja verdadeiramente fraterna, em que, por exemplo, a autoridade seja mesmo um serviço, na linha daquilo que Jesus nos ensinou.
É sabido que Jesus não organizou os discípulos. Depois da Páscoa e do Pentecostes, eles sentiram que tinham de fazer alguma coisa...
A primeira forma de organização tem sabor judaico. Assim, aparece o grupo dos doze, com Pedro à cabeça, talvez porque gozava da confiança do Mestre. Quando o Evangelho ultrapassou as fronteiras de Israel, os discípulos inspiraram-se nos modelos da sociedade civil greco-romana do seu tempo e apareceram os diáconos, os presbíteros, os epíscopos...
É um estudo interessante este de como foi vista a autoridade nas comunidades cristãs durante estes séculos todos, a influência que exerceram as culturas nas quais a Igreja se foi inserindo, esquecendo, muitas vezes, o tal carácter de serviço que deve ter a autoridade, tanto na Igreja como na sociedade.
O Vaticano II deu passos em frente, querendo voltar ao pensamento de Jesus. Alguma coisa já foi corrigida. Assim, Papa abandonou a tiara, os bispos abandonaram alguns títulos profanos (por exemplo, em Coimbra, o título de bispo-conde), embora subsistam muitos títulos sem sentido (ex.mo e rev.mo, Dom, para os bispos, etc. etc.) ou, então, com o sentido de sugerir que a autoridade é mais do que um ministério...
Temos de ser bem conscientes que não é fácil encontrar critérios infalíveis para a escolha dos que devem exercer a autoridade na Igreja Universal e nas comunidades cristãs. Uma coisa é certa, assim não está bem e não corresponde ao pensamento de Jesus e dos Apóstolos. A Igreja só perde em ser vista como uma multinacional... É urgente mudar a maneira de escolher o Papa, os bispos, os párocos, mesmo correndo riscos...
Se os primeiros discípulos se inspiraram na sociedade civil do seu tempo, poderíamos, também agora, inspirar-nos nos aspectos positivos das sociedades democráticas dos tempos de hoje para escolhermos os nossos animadores, árbitros, conselheiros. Se a autoridade é um serviço, se, como diz S.Paulo, “quem deseja o episcopado, deseja uma coisa boa”, é, por exemplo, inacreditável que, no nosso caso concreto, não se peça para haver candidatos, programas...e que nos apresentem uma lista de nomes, alguns dos quais vivem num Lar de Idosos... e outros, a maior parte, que não tem condições de idade e de saúde, etc., para aceitar...
O futuro animador terá de rever esta situação concreta e todos nós, sobretudo os mais novos, devemos interessar-nos numa nova visão da autoridade na Igreja, na linha do pensamento de Jesus, até para sermos credíveis. Já era tempo de darmos exemplo à sociedade civil. Mas ainda estamos na fase de aprender com ela a democracia... Que pena!...
Parabéns, David. Continua a atirar pedras para o charco!
Um abraço
ALFA

2004-10-09

O PS e a PPCM - IIª parte.

Como ia dizendo (e sinto que devo continuar a dizer), talvez para alguns, a apresentação de propostas seria uma vaidade imperdoável para uma instituição como a nossa, de carácter religioso, cristão. Seguindo o mesmo espírito, não se discorda frontalmente porque parece mal e pouco “evangélico”. Prefere-se, pelo contrário, as conversas de bastidores que só radicalizam posições.

Como consequência, o mais natural é que o homem que aceitar liderar um grupo destes, terá pela frente a oposição frontal que só nesta fase entra em acção. Os sorrisos tornam-se amargos de boca, e as palmadinhas nas costas, facadas.

Ainda esta semana líamos um relato de São Paulo em que ele abertamente dizia que se tinha debatido contra Pedro, o líder da Igreja, por causa das suas atitudes pouco coerentes. E a história da Igreja está cheia de exemplos de homens bons e santos que, em vez de ficarem a contemplar o céu, denunciaram as incoerências, inclusive da Igreja institucional, em nome de Jesus.

Não seria mais coerente, lógico que nós soubéssemos de antemão em quê que vamos votar? O que é que os candidatos a visitadores pensam sobre a casa X?, como pensam resolver o problema Y?, etc, etc... será estamos presos pelo medo? Porquê?


Meu caro SVP, “gracias” pelo teu comentário. Nota-se que ainda és jovem e (ainda) estás fora deste mundo. Mas logo verás (assim Deus queira) que não bastam boas intenções: «há que... há que...». Precisamos, de facto, de uma politica, no seu sentido autêntico, (não politiquice), isto é, arte de saber governar e capacidade de gerir os meios em vista a realização de determinados objectivos. Talvez também nos faça falta aquela esperteza do filhos das trevas de que nos fala o Evangelho.

Crê-me que acredito que podemos e devemos fazer melhor.

David

2004-10-08

Francisco e Bruno: “a dupla da semana”

Durante esta semana do mês de Outubro (04 – 09) tivemos a oportunidade de celebrar e conhecer melhor estes dois Santos que a Igreja faz memória: S. Francisco de Assis (04.10) e S. Bruno (06.10).
Meditando um pouco mais profundamente sobre a sua vida, pude verificar que, cada um, no seu devido tempo, esteve muito atento à situação do mundo e da Igreja e, simultaneamente, foram capazes de responder às necessidades e aos desafios que iam surgindo.
Certamente não estarei a dar ou a chegar a nenhuma conclusão que já não conheçam. No entanto, o seu exemplo, assim como de inúmeras pessoas a quem chamamos Santos, devem, nos dias de hoje, significar algo para a nossa vida.
Que resposta damos aos desafios que hoje enfrentamos? Contribuímos com algo de novo à sociedade onde vivemos?
Uma pequena reflexão que nos pode ajudar a ter presente que, como Vicentinos, ainda podemos contribuir com um ideal ao mundo que é o testemunho de Jesus Cristo, evangelizador dos pobres.

Jerónimo

2004-10-07

Anónimo...

Outro dia, à entrada de uma das Igrejas de Lisboa, encontrei numa pequena folha “uns pensamentos” que gostaria de partilhar convosco. Não é propriamente uma oração, nem muito menos uma daquelas tristes receitas que tantas vezes são colocadas nas nossas Igrejas assegurando que se cumprimos o que está escrito, como que por magica venceremos a lotaria. Dessas “correntes” livrai-nos Senhor!
Esta é diferente. Os comentários ficam à mercê do leitor.


«Aprende a descobrir o melhor de ti mesmo e dos outros.
Não sofras pelos teus limites.
Não te compares aos outros.
Reforça aquilo que há de original em ti,
Aquilo que as pessoas apreciam.
Não sofras pelos limites
E deficiências de quem vive ao teu redor.
Repara no que de bom e positivo há em cada ser humano
».
(Anónimo)

Com um abraço
David

2004-10-05

O PS e a PPCM

Iª Parte

NO PS
Os meios de comunicação social, nas ultimas semanas, noticiaram até a exaustão o debate interno entre os três candidatos à liderança do principal partido da oposição. Durante dias a fio, de norte a sul do país, os candidatos e seus apoiantes esgrimiram argumentos e apresentaram propostas para a solucionar os problemas concretos do país. A rivalidade entre as três candidaturas desvaneceu-se logo que foi eleito o novo líder. Os vencidos até prometeram colaborar e, de novo, o partido estava unido para as novas batalhas que se avizinham.

Na PPCM
Salvando algumas diferenças, o processo é quase inverso: somos todos amigos uns dos outros e estamos unidos, prontos para colaborar no que vier. Contudo, perante um determinado problema, dificilmente se faz um debate sério tendo por base propostas concretas que pudessem ser avaliadas e referendadas pelo eleitorado.

Como o PS andamos à procura de líder. No PS houve um debate sério e transparente entre as diferentes visões políticas. E na PPCM?

(Continua...)

David

2004-10-04

Francisco de Assis

Senhor,
Fazei de mim um instrumento de vossa paz !
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz !

Ó Mestre,
fazei que eu procure mais.
Consolar, que ser consolado.
Compreender, que ser compreendido.
Amar, que ser amado.

Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna !

Francisco de Assis

2004-10-01

Outubro

«Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, e esse lugar, o meu Deus, foste Vós que mo destes... No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o Amor....»
(Teresa do Menino Jesus)

O primeiro dia do mês de Outubro é assinalado na Igreja com a memória da “grande” St. Teresa do Menino Jesus. Curiosamente é também neste mês que se celebra a memória de outras grandes personagens da história da espiritualidade cristã no ocidente: Teresa de Jesus e Francisco de Assis.
Gosto em especial de St. Teresa do Menino Jesus porque, entre outras coisas, ela intuiu aquilo que na Igreja era e continua a ser fundamental: o AMOR. Numa época em que predominava uma espiritualidade de tons ascéticos, Teresa vai ao essencial, ao motor que animou todos os santos, conhecidos e desconhecidos. Ela compreendeu que o essencial é amar.
St. Teresa diz-nos que a santidade a que nós somos chamados é, pois, o “prémio” e o reconhecimento público de uma intensa “vida amorosa”. Mais do que fazer grandes coisas e independentemente do que é feito, o importante é ser expressão de um amor sem limites.
Oxalá a Igreja seja sempre expressão desse amor...

David

2004-09-29

RECOMEÇAR

«Declaramos
que, a partir de hoje,
todos os dias serão festivos.
Declaramos trânsito proibido
aos desmancha - prazeres,
aos pessimistas,
aos que enterram as coisas antes de terem nascido.
Declaramos que toda a palavra
que não anime e não alegre
é um preso em fuga,
um perigo social.
Quem puder contribuir
com algo de bom e belo
para o bem comum,
trazendo mais alegria,
será tido como o primeiro entre nós».

(Anónimo)

2004-06-03

dias difíceis...

«Há dias estranhos, dias em que se apoderam de nós poderosos espíritos com os quais não estamos habituados de lidar. Eles são diferentes dos outros. Trabalham em nós silenciosamente até nos atarem por completo.
São dias estranhos. Dias em que esquecemos o que somos e o que fazemos ou o que devemos fazer. Dias em que se fosse possível vender-nos-íamos a qualquer preço porque já não sabemos o quanto valemos...
E as pessoas que falam connosco como se ainda existíssemos; e aqueles que nos provocam para serem provocados porque não sabem viver sem o estímulo da provocação; e os vizinhos que inocentemente nos cumprimentam como se tudo fosse como foi. Nada sabem de nós. Nada sabem dos espíritos de que estamos possuídos. Não sabem que falam para um cadáver...»

David

2004-05-28

...me livraste...

Salmo 30
«Eu te exalto Iahweh, porque me livraste,
Não deixaste meus inimigos se rirem de mim.
Iahweh, meu Deus, eu gritei a ti e me curaste.
Iahweh, tiraste a minha vida do Xeol,
Tu me reavivaste dentre os que baixam à cova...»


Teu servo: Daniel

2004-05-27

PORTO!!!

Se seria de esperar que eu aqui viesse fazer uma grande e rasgada festa devido à claríssima vitória do FCP frente ao ASMónaco, não é o que vou fazer... é que já estou cansado de tanta festa!!!
Afinal um homem não é de ferro. Desde há uns tempos é festa atrás de festa...
Se no ano o FCP ganhou o campeonato, este ano repetiu a façanha!
Se no ano passado o FCP ganhou a Taça UEFA, este ano ganhou a «CHAMPOINS LEAGE»!
Realmente é de ficar cansado de tanta vitória...
Mas ainda hoje li algo que me chamou a atenção: Afinal o FCP tem que ser humilde... é igual ao Sporting... só faz festa de 18 em 18 anos... o Sporting quando ganha o campeonato, o FCP quando ganha a liga dos campeões... he, he, he!!!
Bem, chega de festa... o próximo ano vai ser duro... ai vai, vai!!!
Mas isso é só para o ano!

Curiosamente o guarda redes que Scolari teimosamente insistiu em não seleccionar demonstrou mais uma vez que é um dos melhores do mundo e o melhor de Portugal... mas há coisas na vida que não são para compreender!!! É a vida!!!

ASS: MARTYR

2004-05-12

Temos o que merecemos?

Aleluia!

meus “s’irmaõs”
Aí vem o Augusto II...

«Erguei as mãos e dai glória a Deus»,
Finalmente, já temos cabeça!

Uma cabeça importada, é certo, pois parece que por terra lusitanas elas escasseiam.
Enfim, mais do que um atestado de incompetência à malta, sabe a «últimos sacramentos».

Talvez temos o que merecemos,
Oremos....
descansemos em paz,
João

2004-05-11

O hino que quero cantar

Já não sei nem quero imaginar
A cor do cabelo ganhador
Que, com o seu passo triunfador,
O destino da província irá levar.

Mais importante e consolador,
A fim da almas errantes animar,
Vai todo meu ser e meu olhar
Para a oração do pobre sofredor!

Não sei quanta terra ou quanto mar
Dentro da minha angústia vou percorrer!
Mas sempre com a esperança de obter
O nome do esposo p’ra noutro hino cantar!

Mas já se vão as forças para a música fazer
Pois nem o tilintar das promessas
Que, ora na esquerda, ora na direita, expressas
Tocam a fechadura para comer.

E no meio de tantas ideias acesas
Que a multidão a cada instante cozinha
Não deixamos a mesa sozinha
Sem a letra do hino criar defesas.

Está na hora de ouvir a campainha
Com a saudação triunfadora
De anunciar a sua vontade salvadora
De quem, calado, não mais se continha!

Quando chegará essa hora?
Que a parede a rolha irá receber
E nos copos a bebida acolher!

E todos juntos cantando agora
O hino ao esperado esposo presente
Com a força e a alegria de cada ente!

Crisóstomo

2004-05-07

Segunda visão


Eis que estando o meu quarto às escura, no silêncio da noite, comecei a ouvir o cantar de um coro que parecia-me ser do outro mundo. Levantei-me e, como o profeta, disse para as paredes que, naquele momento, pareciam falar: «eis-me aqui».

De repente, como se as minhas palavras tivessem sido mágicas, fui transportado para um lugar de uma beleza indescritível. Nesse lugar, avançava um cortejo de virgens vestidas de branco, com estandartes e bandeiras, e todas cantavam: «Povos batei palmas...».

Depois do cortejo das virgens, aparecia uma figura esquelética, de nariz pontiagudo que, com o turíbulo, perfumava o ambiente em redor. Esta figura era seguida de dois seres, um mais forte que lançava pétalas de rosas pelo chão e o outro, que seria ucraniano, transportava um livro que estava aberto. Nele se podia ler: «Aí vem o esposo».

Havia ainda um quarto, vestido da cor do sangue, querendo indicar a sua total disponibilidade para morrer por alguma causa.

Finalmente, de novo, fui-me revelado o rosto do homem forte e Augusto que vestia uma grande capa, a qual era levantada nas pontas por um acólito com ar de santo. O homem Augusto ocupava a sua mão esquerda com conjunto de chaves e, com a direita, distribuía bênções. Perguntei ao anjo qual seria o significado daquelas chaves. Ele me respondeu: «são as chaves de todos os problemas. Todo aquele que quiser terá, por ele, a porta da nova história aberta».
O cortejo foi-se distanciando ao som de aclamações. Ouvia-se as virgens vitoriarem aquele que avançava: «Aí vem o esposo!». E o coro dos acólitos, em resposta, dizia: «Ele será Augusto!».

Daniel

2004-05-06

Aí vem o Esposo!

O esposo!!!!

Será Augusto o esposo?
E a esposa, que tal?
Sofre de esperar e teme o mal?
Ou pacientemente espera no poço?

Mas que tempo da espera tal
Onde a escuridão dos dias
Se mete pelas nossas vidas
Retirando-lhe a originalidade e o sal!

Quando chegarão as luzes merecidas?
Saiam elas e venham iluminar
Com esperança todo o nosso caminhar…
Mas ó esposo: sem correrias!!!

Porém, não há esposa que aguente neste lar
Olhar e não ter que ver…
Querer e não ter
Uma luz refulgente para a todos dar.

Ó esposo que vens da luz do querer
Não te demores mais!
Já é hora para aqueles que amais
Te receberem na sua cruz com saber!

Esperaremos pelo tempo ainda mais
Que, a cada minuto, se pergunta:
Será hoje? Ou nesta semana santa?

Pois, aguarda, fiel esposa, um pouco mais
Que a porta da Luz se abrirá
E o esposo nos teus braços cairá…

“Poema dos Poemas”

2004-05-05

Profecias...

"És Tu o messias (visitador) ou devemos esperar outro?"
Esta pergunta tem-se feito cá em casa muitas vezes, mas, quem sabe, à pessoa errada!...
Tentando interpretar os "Sinais dos Tempos", recordei, com alegria, algo que se passou durante uma oração de Vésperas; estavamos "quase todos" reunidos em louvor do Senhor... eis que, no momento em que rezavamos "aí vem o Esposo...", passagem de um dos salmos da liturgia das horas, surge, de facto, alguém e o grupo completa-se. Na altura, tudo isto não passou de uma mera coincidência. Mas, interpretando isto como, insisto, "Um Sinal dos Tempos", será que não é ele quem esperamos, o Homem Augusto e Forte do qual nos fala a Profecia de Daniel?

Por enquanto, tudo isto são especulações, tudo está no segredo dos deuses. Não se sabe quem será nem quando se revelará...
"Vigiemos e oremos, pois não sabemos nem o dia nem a hora... da vinda do esposo!?..."

Ass. Golias